Meu ouvido não é penico2011jun21: Este texto ainda está longe de estar em forma final. Eu comecei a escrevê-lo em novembro/2010 e mostrei a primeira versão - pra meia dúzia de amigos próximos - em 1º/dez/2010, e depois de dezembro passei muitos meses sem mexer nele. Em 21/jun/2011 acrescentei um adendo à principal seção que fazia com que este texto fosse impublicável e resolvi torná-lo público pela primeira vez, acrescentando links para ele aqui e aqui. Versão atual: 2011jun21. Quick index:
1. O teste de RorschachHá uns 10 dias atrás eu peguei o mesmo ônibus que um colega meu que também estava vindo do Rio pra Rio das Ostras. Nós viemos conversando, e um assunto - inevitável - era o que cada um tinha achado da denúncia mandada pela ANDES. Por um lado era evidente, até pelo tom dela, que ela tinha sido escrita e enviada pelos "barbudinhos de plantão", então muitas pessoas iriam ignorá-la, simplesmente denegrindo os seus autores; por outro lado ela é uma denúncia bem contundente, que não é anônima, foi escrita por pessoas bem-informadas, e mandada para muitos endereços importantes - e portanto os seus autores estão praticamente pedindo pra ser processados caso ela não esteja correta, então ela merece uma certa atenção. Pois bem, eu estava conversando com esse meu colega, e nós vimos que eu e ele que acreditávamos na culpa e na inocência de pessoas completamente diferentes - eu apostaria alegremente 10 reais que as pessoas A, B e C eram culpadas, e ele achava que os únicos possivelmente culpados seriam D e E. Eu fiquei pensando sobre isso e entendi que na verdade - já que cada um de nós tem muito pouca capacidade de apurar os fatos por si mesmo - essa denúncia revela mais sobre nós mesmos, sobre o nosso modo de perceber e de pensar, do que sobre os acusados... mas a nossa percepção da confiabilidade dos outros não é algo totalmente independente da "confiabilidade real" dos outros; a correlação é grande, e aliás a "confiabilidade real" não é nem algo que exista isoladamente - a confiabilidade é algo que só faz sentido quando pessoas se relacionam, e é uma "ferramenta" importante em relações (obs: o meu uso da palavra "ferramenta" é proposital; depois vou colocar aqui links para trechos do "A ética protestante e o espírito do capitalismo", do Max Weber). E eu achei tão importante que nós déssemos bola pra essa denúncia, nem que fosse só pra gente pensar a respeito destas questões todas, que escrevi este texto e o mandei pra muitas pessoas, incluindo muitos alunos, e também mandei cópia do e-mail da ANDES pra algumas destas pessoas... como o Gmail andou fazendo umas esquisitices comigo eu acabei pondo uma cópia do e-mail aqui - por enquanto sem nenhum "disclaimer", mas espero que fique claro que eu não vejo a denúncia da ANDES como um texto que é para ser lido só literalmente. Este texto - o que você está lendo agora - é sobre a percepção da confiabilidade, entre vários outros assuntos. Ou, mais precisamente, a pergunta central deste texto é: porque é que eu estava tão frustrado com certas pessoas do meu departamento que eu "via" elas como "provavelmente culpadas"? E a minha hipótese de trabalho vai ser que estas pessoas funcionam baseadas em premissas tão diferentes das minhas que o diálogo com elas é muito difícil, praticamente impossível - e que então devemos encontrar um modo de esclarecer as premissas básicas de cada um; e não um modo qualquer, mas um que permita que as pessoas comecem a entender como os outros funcionam, e encontrem bases comuns. 2. Tentativa de mudança na ataFato: logo depois que eu recebi a primeira versão da ata da reunião de 28/10/2010 eu escrevi um e-mail propondo correções na ata e o mandei pra mailing list do DCTUFF, que inclui todos os professores do departamento, a secretária, e possivelmente algumas outras pessoas também. O e-mail foi exatamente este abaixo; como nenhuma das correções que eu pedi que fossem feitas nas falas de outras pessoas foi aceita, e como o meu e-mail gerou muita discussão, & como muito pouco dele foi pra ata & portanto ele não tem existência "oficial", transcrevo-o aqui ("porque eu não quero esconder provas contra mim"). O meu e-mail foi mandado em 17/nov/2010 e a discussão aconteceu na reunião de 18/nov/2010, na qual, como sempre, um dos itens de pauta é a aprovação da pauta da reunião anterior.
Os motivos pelos quais eu pedi - meio pateticamente e meio antipaticamente, admito - que essas correções fossem feitas têm a ver com condições de trabalho e com desgaste. Isto vai ficar mais claro ao longo do texto. Pois bem: o João teve uma reação muito forte, da qual grande parte, a pedido explícito dele, irá constar da ata da reunião (de 18/nov/2010). Ele ficou P* (← substituir isto por uma palavra precisa) com eu ter usado a expressão "deu a entender que...", e disse que quando ele quer dizer alguma coisa ele diz, claramente e cara-a-cara, e que ele não fica fazendo "conversinhas de corredor" e mandando e-mails como eu. Ele não usou explicitamente as palavras "coragem" e "covardia", mas eu passei vários dias depois da reunião tentando entender a reação dele, as "premissas" dele (vou ter que usar a palavra "premissas" muitas vezes - soa pretensioso, mas não tenho outra melhor) e o seu sistema de valores, e eu não consigo pensar claramente sobre tudo isto sem as palavras "coragem" e "covardia"; acho que ele não usou essas palavras porque se ele usasse eu poderia dizer que ele estava me ofendendo... mas eu vou usá-las. Não tenho nenhum amigo que se comporte de modo nem mais ou menos parecido com o João, então esta minha tentativa de entendê-lo vai ser meio canhestra... mas ela é só uma primeiríssima aproximação, e eu espero que outras pessoas depois me ajudem a melhorá-la. Então (a partir de agora eu vou falar de dentro do sistema de valores desse João imaginário): dizer as coisas claramente e cara-a-cara é a atitude corajosa, honrosa, etc; e conversar com terceiros, por "conversinhas de corredor" e e-mails, está associado a fofoca, manipulação e covardia. O verbal (oral), cara-a-cara, que acontece em tempo real, é honesto, transparente, e não permite mentira; na comunicação escrita se a gente mente e alguém contesta algo que a gente disse a gente tem tempo de pensar numa saída, e esconder as incoerências... E um dos motivos pra gente tentar ser honesto é a gente poder sempre dizer as coisas claramente, sem vergonha; se não temos nada a esconder isto transparece na nossa postura, temos uma "postura honrada", e os outros nos respeitam; se temos algo a esconder isto também transparece, quando os outros olham pra nós nós desviamos os olhos (nem que seja um pouquinho), e eles percebem, e nós caímos do mundo dos "homens honrados"... (to do: citar algum trecho do "Face Work", do Erving Goffman?) Ora, esta noção de "honra" - que eu estou atribuindo a este João imaginário, e que é bem diferente da minha - não inclui várias coisas que são basais no meu sistema de valores... 3. GrosseriaPois é, eu não conversei com o João antes de pedir as mudanças na ata. Porquê? Porque eu não vi nenhum modo de conversar com ele. O que eu poderia ter dito pra ele? "João, você foi grosso na última reunião, por favor não seja mais grosso"? Não!!! Porque não foi só na última reunião, e porque "grosso" não pode ser o termo certo, porque as pessoas em geral se incomodam com grosserias, e a única pessoa no meu departamento que tem se incomodado com as atitudes do João - ou que resolveu se manifestar sobre elas - sou eu... então o termo "grosso" estaria errado. Uma possibilidade bem mais correta, já que eu estou usando a palavra "grosso" num sentido que talvez seja só meu, seria: "João, você foi grosso-no-sentido-do-Eduardo na última reunião, em várias outras, no debate sobre a regulamentação dos cursos pagos, e possivelmente em outras situações também... eu não sei explicar precisamente o que é ser grosso-no-sentido-do-Eduardo, é claro que você tem todo o direito de ser grosso-no-sentido-do-Eduardo, e quase ninguém além de mim se incomoda quando você é grosso-no-sentido-do-Eduardo, mas eu fico bem incomodado, admito que é frescura minha e que eu não tenho direito nenhum de te pedir isso, mas por favor deixe de ser grosso-no-sentido-do-Eduardo, desculpe, obrigado?" O João funciona do jeito dele, a grosseria-no-sentido-do-Eduardo dele é algo que ele faz com a melhor das boas intenções, e é algo que certamente é coerente com a visão de mundo dele, e que nunca lhe deve ter causado grandes problemas, e que em certos meios - no exército, em empresas, e entre os amigos dele - é útil, quase não incomoda, e funciona bem. Não faz sentido eu pedir pra ele mudar isto sem eu saber explicar muito bem porquê, sem explicar claramente que detalhes me incomodam, e sem ter como ajudá-lo a encontrar alternativas fáceis. Antes de ir conversar com ele eu tenho que esclarecer o que acontece comigo, e encontrar termos que permitam o diálogo. Ou seja, num momento inicial, até eu ter boas ferramentas pra dialogar, o meu incômodo é problema meu, e não acho correto envolver o João nisto. 4. AlmoçoNa quinta, 25nov2010, enquanto eu estava na fila do Julien's (a.k.a. "cantina") pra pedir o meu prato o Moacyr veio falar comigo, pra dizer que tinha ficado muito incomodado/chateado/magoado comigo - ele próprio não conseguiu encontrar a palavra perfeita, então ele não vai me processar se eu usar uma palavra imprecisa aqui - por eu ter mandado o tal e-mail e um outro texto pra várias pessoas sem ter ido conversar com ele primeiro... Aí, pra não deixar uma situação tão incômoda pendente eu acabei sentando na mesa onde o Moacyr e o João estavam almoçando e conversando com eles lá. Eu não converso com o Moacyr porque eu tenho a sensação de que eu não consigo conversar com o Moacyr! E um dos motivos pra isso ficou claro, de novo, nos primeiros 5 minutos da conversa, e pode ser considerado uma questão de estilo - mas é muito importante. Em uma palavra: redundância. A impressão que eu tenho é que ele fala meia de dúzia de coisas, de cujas premissas eu discordo, e aí diz "entendeu?", e repete as mesmas coisas de novo, e entra em loop... Ele tem os códigos dele, claro... Uma das coisas que ele me disse nesse dia do almoço foi que ele me recebeu muito bem aqui no PURO, sempre me cumprimenta, etc, e que portanto eu não podia falar dele pelas costas, eu tinha que ter ido conversar com ele primeiro... Caramba, será que ele não poderia ter se perguntado porque é que eu acabei conversando com outras pessoas primeiro? Talvez seja porque a minha auto-estima é baixa - o que aliás era considerado praticamente um aleijão psicológio quando eu trabalhava no "mundo real", como programador, entre "gente normal" - mas quando algo não funciona como eu queria eu sempre acabo pensando no que é que eu fiz de errado - até porque é mais fácil mudar as minhas atitudes do que as dos outros... Então eu se fosse o Moacyr eu teria pensado: "pôxa, porque é o Eduardo não veio falar comigo?"... Vamos pensar em alunos um instante. Dá um trabalhão a gente criar uma relação com alunos na qual até alunos bastante tímidos se atrevam a falar com a gente - para dúvidas, comentários, ou até meta-assuntos que têm a ver só com a relação deles com a Universidade, mas não têm nenhuma conexão estrita com a matéria... Também dá um trabalhão escrever um e-mail para uma lista de discussão de um programa de software que mereça uma resposta (veja este texto, do Eric Raymond); e se a gente for pensar na produção "estritamente acadêmica", que são os artigos, o trabalho que a gente tem que fazer pra produzir algo que pelo menos mereça ser lido por um parecerista é maior ainda, aliás MUITO maior... Aliás, "manter a auto-estima baixa" é uma "técnica de comportamento" que a gente aprende - aliás, que a gente absorve, quase que por osmose, do meio em torno da gente - quando a gente estuda matemática, e quando a gente aprende a programar... e a gente aprende isso porque funciona - porque facilita o tipo de concentração certa pra aprender, porque faz a gente ler centenas de livros, nem que seja em diagonal, pra gente ter uma noção do que existe, antes da gente sair fazendo perguntas bobas nos lugares errados, e criando má vontade e fazendo com que as portas se fechem pra nós... Nos meios de onde eu venho - Matemática, Lógica, Teoria de Categorias, Software Livre, Linguagens de Programação - a comunicação costuma se dar em muitos níveis, e a gente infere muita coisa a respeito dos nossos interlocutores a partir do modo como eles se comunicam... dizer que é a partir do "tom" seria muito vago, porque a gente analisa muitos elementos diferentes, e apesar dessas nossas inferências não serem 100% confiáveis elas costumam ser bastante precisas como primeiras impressões... Posso procurar mais links sobre isso depois, mas este aqui, "Ten Signs a Claimed Mathematical Breakthrough is Wrong", é um bom ponto de partida. Pois então: eu sei que em empresas as coisas funcionam quase que do modo oposto a este, mas e numa universidade, num departamento que junta "pessoas que se disciplinam pra manter a auto-estima baixa" e "pessoas que se disciplinam pra manter a auto-estima alta"? As reuniões de departamento, pelo menos, deveriam ser um lugar onde a gente dá o melhor de si, em respeito ao tempo das outras pessoas presentes, e pra criar as melhores condições de trabalho para todos (porque as reuniões tomam uma fração não-negligenciável do nosso tempo)... e também pra criar boa vontade, porque afinal cada pessoa numa reunião quer que as outras gostem dela, gostem do que ela diz, e apóiem ela e as suas idéias. Então, pois é: a partir do comportamento do Moacyr e do João nas reuniões eu inferi - corretamente, ao que parece 8-( - que conversar com eles pessoalmente não poderia ser uma prioridade: seria muito desgaste, pra quase resultado nenhum. E se o Moacyr ou o João fossem matemáticos ou programadores eu apostaria tranquilamente bem mais que 10 reais em que os teoremas e artigos deles não seriam grande coisa, e que os seus programas seriam ruins... e sobre a qualidade do projeto Anvisa eu prefiro dizer: "não sei" - mas foi bom que eles tenham ido na reunião do CONPURO explicar o projeto, porque agora pelo menos eu e outras pessoas temos alguns primeiros elementos pra começar a formar alguma opinião. 5. ReitoriaNa reunião de departamento do dia 28/10/2010 um dos itens de pauta era "solicitação da professora Maria Helena". O Moacyr explicou esse ponto dizendo que a professora Maria Helena, que está trabalhando como professora na Engenharia de Produção em regime 20hs, também trabalha no escritório de propriedade intelectual da UFF, em Niterói, sem receber nada por isso, e a reitoria pediu, ou ofereceu, que se aumentasse o regime dela para 40hs DE, com um acordo de que ela continuaria a trabalhar meio lá, meio cá. E isso era bom pra reitoria, bom pra professora, e bom pro Departamento, porque pra mil fins de contagem é melhor termos mais professores 40hs DE. O que mais me deixou sem jeito nessa proposta foi, de novo, algo que pode ser considerado uma "questão de estilo". Uma premissa muito básica na fala do Moacyr era que "a reitoria é boa"; e eu tenho andado tão perturbado com a situação do pólo que eu até partiria de uma premissa quase oposta: de que a reitoria tem os interesses dela, tem muito pouco conhecimento do que se passa no PURO, e não tem cuidado praticamente nada de nós; ela não é "boa" (nem "má"...), e qualquer solicitação dela tem que ser analisada com cuidado - e solicitações abrem possibilidades de diálogo e de negociação. A fala do Moacyr era como uma história que começa pela metade - até aí tudo bem - mas pra qual a gente consegue imaginar vários começos (as premissas básicas), só que todos são igualmente prováveis, e nenhum deles faz sentido... "a reitoria é legal, vamos ser legais com ela", ou "vamos fazer favores para a reitoria pra ganhar favores dela depois", ou "este é o melhor modo de negociar com a reitoria: se fazemos o que ela pede depois podemos cobrar o que precisamos", ou "eu sei como o reitor funciona: ele atribui para cada pessoa que ele conhece um número, que é a `quantidade de boa vontade', e ele é benevolente com as pessoas que ele considera que têm uma quantidade de boa vontade grande... e atender este pedido da reitoria com presteza aumenta a minha quantidade de boa vontade na cabeça dele, e favorece o PURO"... Estava sendo tão difícil pra mim acessar as "premissas básicas" do que o Moacyr disse que eu acabei tendo que focar as minhas falas em outras partes da questão - que atender essa solicitação talvez fosse mudar (a "jurisprudência" sobre) a noção de "dedicação exclusiva" no nosso departamento de um modo ruim, que seria melhor termos mais tempo pra discutir isso direito, e que eu não achava bom atender essa solicitação imediatamente... E eu levei porrada. Digamos que eu começo a dar um curso - Cálculo 4, por exemplo. Pra introduzir as idéias básicas pros alunos eu preciso falar de um fluxo em R^2, e de como medir o fluxo "através das paredes de um quadrado"... uma explicação como essa dá margem a tantas dúvidas que eu tenho que deixar de propósito mil espaços no que eu tou dizendo pra que os alunos possam fazer perguntas, ou pelo menos sinalizarem o que eles acham que faz mais sentido e o que eles acham que não faz sentido nenhum... e claro que eu escolhi o exemplo do Cálculo 4 porque ele é extremo - em termos de dúvidas possíveis -, mas mesmo assim quase todo mundo que ler isto aqui vai entender - se eu falasse de Categorias Cartesianas Fechadas só 3 ou 4 pessoas entenderiam 8-p... eu achei que o Moacyr não deu nenhuma brecha pra gente perguntar sobre as "premissas básicas" da questão, e eu não consegui nem entender porque ele fez isso... 6. Precisamos de mais conversinhas de corredor
7. Premissas diferentes
8. RegrasNa reunião de departamento do RCT do dia 18/nov/2010 (?) nós tivemos um dos melhores exemplos que eu já vi de dois grupos de pessoas com premissas quase opostas conseguindo chegar a um consenso. As posições dos dois grupos, muito em linhas gerais, são as seguintes. Um grupo, que eu vou chamar de (o grupo do) "Espírito das Leis", considera que as leis são feitas com certas intenções, mas o modo como as leis são escritas - a "Letra da Lei" - nem sempre é totalmente fiel ao espírito da lei; casos omissos e imprevistos não são raros, e quando eles acontecem a gente tem que acessar o espírito da leis para encontrar o melhor modo possível de aplicá-lo... e neste processo nós esclarecemos e atualizamos a letra da lei. O segundo grupo, que vou chamar de (o grupo da) "Letra da Lei", considera que as regras, como elas estão escritas, são a única base comum que todos nós temos para estabelecer o que é certo e o que é errado. Eu ainda entendo mal esse segundo grupo, o da Letra da Lei. As pessoas do RIR, todas ou quase todas, são pelo espírito das leis. No RCT a maioria - pelo menos 2/3 ou 3/4 das pessoas, acho - são pela letra da lei. Mas voltando: só pouco mais de 10% dos professores do PURO já terminaram o estágio probatório, e o regimento da UFF diz que só professores que já terminaram o estágio probatório - vou me referir a eles como "efetivados", pra encurtar - podem ser eleitos para cargos de direção e como representantes de pólos e unidades em Niterói. Essa regra fazia todo o sentido quando a grande maioria dos professores eram efetivados, por vários motivos, entre eles: (1) alguém eleito tem um mandato de 4 anos, que é algo muito forte legalmente. O que fazer com um professor que é reprovado no estágio probatório mas ainda tem parte de um mandato pra cumprir? (2) Professores em probatório ainda não têm experiência suficiente com a faculdade, e mesmo que eles queiram ter cargos administrativos é melhor que no início eles só possam observar como tudo funciona e se familiarizar com os processos. A própria regra que proíbe candidatos em probatório é frágil - descobriu-se que ela é incompatível com uma lei federal - e isto não é difícil de contornar: já que professores em probatório não poderiam ser "legitimados" em certos cargos pelos motivos (1) e (2) acima e pela tal regra, então faz-se uma consulta popular ao invés de uma eleição pra ver que fração dos professores, alunos e funcionários apóiam o tal candidato (nas "eleições" usuais só os professores votam, acho - checar isto), e aí se os candidatos têm apoio suficiente eles são "nomeados pro-tempore" para os cargos, o que é algo bem mais fraco que um mandato. O RIR tem feito isto, e eles decidiram, por consenso, que continuarão fazendo isto até pelo menos 50%+1 dos professores estarem efetivados. Pois bem: na reunião do dia ??? nós tivemos uma discussão de mais ou menos uma hora sobre essa regra do probatório, e algumas pessoas do grupo da letra da lei deram argumentos que me ajudaram a entender a posição delas - vou detalhá-los daqui a pouco - e nós conseguimos chegar praticamente a um consenso... e foi um consenso real, não aquilo que tem acontecido com muita freqüência, em que se chega a uma solução que ou pouca gente entende, ou que é mais ou menos ruim pra todos, ou pra qual pouca gente está ligando. Como é que a gente chega a um consenso "real"? Algumas coisas são claras: dá trabalho, e todo mundo tem que estar bem envolvido com o assunto... essa "capacidade de envolvimento" é que andou desaparecendo das nossas reuniões - e até do nosso departamento inteiro, praticamente - durante muitos meses; a maior parte de nós estávamos dominados por desânimo e apatia, sem conseguir reestabelecer um diálogo, mas algumas pessoas continuavam funcionando, talvez por inércia, indo mais ou menos nas mesmas direções que antes, só que praticamente sozinhas... (Só pra deixar bem claro: eu considero que nessa reunião de ???/nov/20101 nós "voltamos a funcionar"; alguém com outros critérios, que se foque na quantidade de coisas decididas e que odeie discussões, pode achar exatamente o contrário.)
9. Currículo Lattes
10. Os vários sentidos de "Democracia"
11. Eficiência
12. ColaDesde o final de 2009, quando houve um caso grave de cola numa das minhas turmas, envolvendo muitas pessoas, eu comecei a pensar muito no que é que anda fazendo tantos alunos se sentirem praticamente incapazes de passar nas matérias sem colarem, e porque é que tantos trabalhos que a gente recebe são copiados da internet... Estou participando de um Grupo de Trabalho interdisciplinar (formado principalmente por professores do RIR) que está discutindo isto e tentando esclarecer o problema e encontrar soluções. Vou começar este texto a partir do viés desse Grupo de Trabalho. A maior parte dos alunos que temos hoje não tem a menor noção do que é "pesquisa" no sentido que a palavra tem para nós professores. Eles chegam na faculdade com uma outra noção de "pesquisa", herdada da escola, na qual "pesquisar" é consultar livros e a internet, e depois fazer um "cut & paste" rápido com o resultado. Aí nas matérias da faculdade - vou me concentrar nas de Matemática, que são as que eu conheço melhor - nós, professores, ficamos frustrados & desesperados com a gente frustrado com eles, porque eles não sabem nem estudar o que eles encontraram que parecia relacionado ao tema pedido, e 13. O silêncio sobre os problemas
O silêncio sobre os problemas Link pro scan do Dejours: pdf, djvu Link pro scan da Marilena Chauí: pdf, djvu Função da Universidade Quando eu submeti uma proposta de logotipo pro ICT a intenção era exatamente a gente passar a lidar com os problemas de forma mais aberta. O logotipo e um texto extra, escrito depois mas muito relacionado com a "rationale" do logotipo, estão aqui. 14. Trabalho alienado(Fevereiro, 2011): O bloco abaixo é um dos principais motivos pelo quais este texto ainda não pode ser divulgado publicamente! Ele foi uma das primeiras coisas que eu escrevi, num dia em que eu estava MUITO mal. Preciso reescrevê-lo de um modo decente - mas até lá vou mantê-lo na forma original, porque ela me ajuda a me reconectar com a energia do dia.
Adendo, 2011jun21: me toquei de um outro motivo pra manter as notas acima aqui! Elas podem ajudar a fazer os leitores verem que os argumentos raramente surgem direto em forma final... Nós muitas vezes começamos de algum incômodo visceral, e aí só podemos compartilhar o que pensamos com pessoas muito próximas (em "conversinhas de corredor", evidentemente)... mas à medida que discutimos o que nos incomoda começamos a descobrir o que naquele incômodo é universal e comunicável... Quando eu escrevi as notas hiper-preliminares acima (começando com "A atitude dos EPs"...) eu só conseguia pensar em termos de descaso e má fé - mas fica praticamente impossível dialogar se os termos que a gente usa são estes; o nosso sistema legal sabe disso - má fé é algo grave, acusações de má fé têm de ser extremamente bem fundamentadas, e, pra resumir, é melhor evitar pensar nestes termos. Pois bem: professores universitários têm um bocado de autonomia, porque se supõe que - em muitíssimos aspectos - eles devem ser capazes de decidir por si mesmos qual o melhor modo de exercer suas funções. Pelo que eu entendo os EPs consideram que devemos gastar o mínimo de energia possível discutindo em reuniões... (Acho que por baixo disto existem noções diferentes de trabalho; vou tentar encontrar uns links para textos sobre Software Livre - por exemplo este - que discutem isto muito bem. Muito a grosso modo, me parece que os EPs defendem que "todo trabalho real é alienado" (e deve ser feito com o mínimo desperdício de energia possível), enquanto gente como eu defende que apesar da gente estar cercado desta visão por quase todos os lados na sociedade atual é preciso lutar contra ela e criar ambientes no qual todo tipo de trabalho - inclusive participação em reuniões - possa ser feito com o máximo de capricho possível, e com o máximo de atenção às possíveis conseqüências, diretas e indiretas, do que a gente faz... Preciso completar isto depois.) Adendo, 2011jun22: várias pessoas comentaram comigo que este texto não propõe soluções concretas... eu achei que a minha "proposta" estava clara, apesar de implícita - vou explicitá-la. Acho que não podemos mais nos dar ao luxo de gastar uma parte significativa da nossa energia e do nosso tempo com raiva, frustração, inveja, medo, sarcasmo, cinismo, apatia, etc, etc, etc; está na hora de pensarmos sobre tudo isto - e é natural começarmos ou sozinhos ou com pessoas com as quais temos muita afinidade, apesar do risco de sermos acusados de estar fazendo "conversinhas de corredor" - e está na hora de transformarmos a nossa raiva (e o resto) em argumentos. 15. Realpolitik
16. Valores e dinheiroAlguns trechos do "A Sociedade do Espetáculo" - do Guy Debord - que é um livro que eu gostaria de citar mais, mas que é muito complicado, e isso assusta as pessoas. As "teses" 6, 11, 12 e 16 dele são:
O (12) tem muito a ver com argumentos que eles usaram na reunião do CONPURO: que eles foram escolhidos pela Anvisa - sem concorrência e sem edital - e ganham aquelas super-bolsas porque eles são bons. Uma idéia que me parecia estar sempre implícita nas falas deles no CONPURO era: toda inveja é ruim, todo invejoso é burro e não merece nenhuma atenção, todo pobre é incompetente. (Veja a próxima seção). Só porque eles ganham muito dinheiro eles não precisam mais pensar... Ou melhor, já que a frase anterior está resumida demais: eles ganham muito dinheiro, e isto é sinal de que eles são ótimos; já que eles são ótimos não há nada pra mudar, e quem reclama do que eles fazem é invejoso; já que não há nada pra mudar, e não há porque dar respostas pros invejosos, não é preciso dialogar - e não é preciso pensar. Eu resumiria o tom da saída deles da reunião do CONPURO como: "não encham o saco, tchau". Aquela reunião, objetivamente, era pra pedir esclarecimentos sobre o projeto Anvisa (qdz, isso era um dos itens da pauta), pra se discutir a legitimidade do projeto; eles (aqui "eles" são os envolvidos no projeto Anvisa) pareciam não entender porque é que o projeto deles não teria legitimidade, nem porque ele poderia ser visto como algo prejudicial ao PURO, e puxaram toda a discussão para a legalidade do projeto... Como discutir com pessoas que confundem legalidade e legitimidade? Este é mais um caso no qual as premissas de um lado e de outro são muito diferentes, o default é os dois lados brigarem e saírem putos e ofendidos, e vai dar um trabalhão pra gente construir bases comuns pra conseguir dialogar construtivamente... 17. Meios e fins(Transferido para cá: Meios e fins).
Na minha visão a universidade (pública) é o "lugar" da linguagem e do diálogo. O objetivo final dela é preservar e aprimorar o conhecimento, mas, mais concretamente, isto é feito lendo, escrevendo, pensando e discutindo - ou seja, usando, exercitando e aprimorando o pensamento, via linguagem e diálogo. Eu gosto desta visão porque ela me permite ver os fins e os meios da universidade como sendo praticamente iguais. Eu acho que os candidatos que têm usado principalmente transparência e discussão de idéias nas suas "campanhas" (para a direção, etc) vão continuar usando transparência e discussão de idéias se forem empossados; os que têm usado votações apressadas, maiorias mal-esclarecidades, "praticalidades" e a "letra de lei" vão continuar usando tudo isto depois de empossados. 18. Auto-estima
Minha mãe usava uma expressão sobre o pai dela, que era que um programa de domingo deles era "irem pra sorveteria pra ver os outros tomando sorvete". Tenho que checar com ela se era a sério ou se isso era uma cena imaginária - mas eu até usava uma expressão que era uma versão exagerada disto, e que se aplica aqui: "levar o garoto diabético pra ver os outros tomando sorvete". Quando o João diz "eu não admito" ou "eu vou processar" é como se ele esfregasse na cara dos outros que ele é importante, ele é uma autoridade moral, ele sabe fazer os direitos dele valerem; ele sabe acionar a polícia, a justiça, etc, pra fazer com que o inadmissível desapareça e com que o seu perpetrador pague pelo que fez. Eu não entendo alguém que diz "eu não admito". Estou cercado de coisas inadmissíveis, mas eu não posso consertá-las diretamente. Preciso ir encontrando os meios, e isso dá trabalho. Dizer "eu não admito" é contraproducente. Eu vivi a minha vida quase toda no Rio de Janeiro, que é um lugar com uma tensão social enorme, e quando eu era um garoto mirrado eu fui assaltado muitas vezes. Em geral eu perdia o tênis. Era bem ruim. Quando eu era adolescente meus melhores amigos eram do subúrbio e iam pra (mais ou menos) qualquer lugar a (mais ou menos) qualquer hora, a pé e de ônibus. Eles não ficavam trancados em casa paralisados de medo. A "violência" era um problema prático, algo com que a gente lidava no dia-a-dia - não um bicho-papão infinitamente maior do que a gente. Como assaltos eram algo "normal" (em algum sentido...) e bem poucos dos assaltos que a gente sofria eram cometidos por "monstros psicopatas" a gente conseguia se pôr um pouco na posição dos assaltantes; a pergunta "Quem você assaltaria?", apesar de não ser nunca formulada publicamente nesses termos, era algo presente na nossa cabeça, e ela ajudava a nos tornarmos menos assaltáveis. A resposta padrão,"eu não assaltaria ninguém num lugar patrulhado", não era suficiente; a minha resposta, que era: "eu dificilmente assaltaria alguém que não ostenta nada, que não me causa inveja nem raiva, e que eu não consigo ver como alguém distante e diferente de mim" era bem mais refinada, e funcionou bem o suficiente... Uma coisa interessante de se viver no Rio é que a proximidade da violência força a gente a pensar em como não ser um "alvo preferencial"... e aí a gente trabalha o nosso estilo de vida e as nossas atitudes pra não humilhar e pra gente merecer o que tem. Mas voltando. A gente vive em situação de escassez no PURO, e eu gasto 30% de toda a minha energia gerenciando o meu mau humor - e imagino que outras pessoas estejam neste estado também. Os envolvidos no projeto Anvisa podem achar que pedir explicações sobre o projeto é uma violência - mas, continuando a comparação do PURO com o Rio, esse pedido de explicações é uma violência praticamente inevitável, e muito menor que um assalto. Eles, os envolvidos, deveriam estar fazendo algo para reduzir a "tensão social"; a existência deste projeto, registrado só em Niterói e como projeto de pesquisa, é humilhante, e causa inveja e raiva... Nada do projeto Anvisa - nem informações nem os benefícios concretos - era compartilhado com os outros departamentos e cursos do PURO. Transparência seria uma boa ferramenta para reduzir a tensão, mas os envolvidos não entendem isto.
Quando eu era garoto tinha OSPB na escola e a gente teve que ler um livro que contava, de um modo muito mal romanceado, como era a vida de uma família de bóias-frias; eu me lembro de uma cena grande cujo objetivo era mostrar o quão precário era o café-da-manhã deles, e da cena seguinte, em que eles são pegos por um caminhão assim que o sol nasce e levados pra cortar cana... O problema desse tipo de texto é que ele paralisa o leitor. 19. Confiabilidade
20. Conseqüências
21. AmeaçasEu (ainda?) não consigo entender como o João funciona... e eu passei o fim-de-semana muito preocupado com o que pode acontecer. Alguém que diz, como ele disse na reunião do CONPURO, "O projeto Anvisa é ilegal? Não. É imoral? Não. Então qual é o problema?", é alguém que pode fazer qualquer coisa que esteja dentro da lei, e a lei só proíbe sacanagens muito grandes... Tem a parte da moral também, mas o que será moral pro João? Se ele não se preocupa com as conseqüências sociais so que ele faz, e se ele acha que a moral é absoluta e binária - no almoço da quinta 25/nov ele ficou insistindo que cada ação ou é imoral ou não é, e não há meio termo (Moacyr e Ana Paula foram testemunhas da cena toda) - então só existe a moral dele, e a dos outros não importa... e eu devo ser louco, ou canalha, ou irresponsável, ou alguma outra coisa bem ruim, porque afinal eu não tenho os mesmos códigos que ele a respeito de privacidade e de dizer as coisas cara-a-cara, e quando eu enviei isto e isto para um monte de gente eu fiz algo muito grave, e, como ele disse na reunião do CONPURO, "quem faz isso sem checar a veracidade das denúncias tem que ser processado por difamação, calúnia e dano moral"... Então no mínimo eu devo ser processado. 22. Dimorfismo de gênero, tratamento e atitude...Aí eles disseram, naquele almoço, que com mulher não se grita, ou algo assim. Pô, isso quer dizer que só porque eu sou homem eles podem gritar comigo à vontade?!?!?!? Se eu fosse mulher (ou se eu tomasse hormônios... as pessoas que eu conheço que tomam dizem que muda tudo) eu sairia chorando quando gritam comigo, e aí as pessoas ficariam com pena de mim, ficariam do meu lado e contra quem gritou comigo, e além disso eu de algum modo descarregaria o que aconteceu - e depois diria: "é, aconteceu, mas passou". Eu não tenho nenhuma válvula de escape, eu queria que tudo tivesse passado mas não passou não, e de vez em quando volta como um pesadelo. O João pode gritar comigo à vontade e ninguém se incomoda - a não ser eu -, e todo mundo acha normal; mas o Fernando gritou com a Maise e a partir daí dezenas de pessoas - principalmente da maioria silenciosa - passaram a considerar ele um monstro. A minha sensação é de que não tem absolutamente nada que nos defenda das grosserias-no-sentido-do-Eduardo dos Joões. Não há regras contra isso, e não há sequer alguma espécie de controle social que faça ele pelo menos ficar mal-visto - não há conseqüência nenhuma. (Confesso que o "Problema da Impunidade" é um tema recorrente meu há anos... veja isto).
23. Puxando a brasa para...Quando o João disse que tudo tinha que ser primeiro conversado cara-a-cara e que o escrito só podia vir depois, ele estava puxando a brasa pra sardinha dele - porque ele deve ser muito bom em conversas cara-a-cara. Eu sou mais lento que isso, e, como eu já expliquei, tem muitos problemas meus que eu demoro até pra conseguir formular decentemente... e o meu processo de resolvê-los passa por reformulá-los várias vezes - e a formulação correta é, por definição, a que permite a solução do problema (isto também vale, aliás, para todas as minhas áreas de pesquisa... não é só pra vida real). Então alguém pode argumentar que 1) eu estou tentando matar uma mosquinha com um tiro de canhão escrevendo um texto destes, e 2) que ao puxar o problema pro mundo do escrito eu estou fazendo uma covardia com o João, porque eu devo ter muito mais facilidade com este tipo de argumentação escrita que ele... eu é que estou puxando a brasa pra minha sardinha. Primeiro: o problema, pra mim, não é nenhuma mosquinha. Eu estava gastando uma quantidade enorme de energia - 30% do meu tempo, talvez, incluindo fins-de-semana - pra conseguir lidar com a sensação de que coisas horríveis estavam acontecendo e ninguém conseguia nem pensar direito sobre elas, quanto mais conversar sobre elas de um modo que ajudasse a resolvê-las... A minha vizinha de cima em Rio das Ostras trabalha com uma coisa chamada "psicologia do trabalho", e ela me emprestou um livro chamado "A banalização da injustiça social", de um cara chamado Christophe Dejours. Esse livro foi editado pela FGV, e a livraria na qual eu encomendei um exemplar pra mim está tendo uma certa dificuldade para conseguí-lo... então eu tomei a liberdade de scanear um trecho dele - a parte que vai da p.38 até a p.55 tem muito a ver com o que anda acontecendo no PURO, ou pelo menos com o que anda acontecendo comigo. Quanto a puxar a brasa pra minha sardinha: acho que pelo menos não estou fazendo uma covardia gratuita; o que está sendo produzido aqui pode ser útil pra muita gente, e o João pode ver esta situação como um bom desafio. 24. UpdateNo dia 15/dez/2010 a gente recebeu por e-mail a pauta da reunião de departamento do dia seguinte, 16/dez, e a ata da reunião de 18/nov/2010. Na reunião de 18/nov acabaram decidindo que a gente só pode pedir correções de ata nas nossas próprias falas, e algumas coisas importantes que o João disse não saíram na ata, então o melhor que eu pude fazer foi mandar pra mailing list do DCTUFF correções em duas falas minhas e esse P.S. aqui:
25. Etc
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