Auditivo vs visual, o botão do nível de detalhe, e a sanfona (22/mar/2023)
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Subj: Auditivo vs visual, o botão do nível de detalhe, e a sanfona
From: Eduardo Ochs
Date: 22 March 2023 at 02:55
To: logica-l@dimap.ufrn.br
Oi todos,
umas baixarias lá onde eu trabalho me motivaram a gravar uma série de
vídeos, e dois desses vídeos são sobre didática e sobre compartilhar
certos tipos de materiais que a gente não costuma compartilhar, como
exercícios, slogans e historinhas... tem uns outros vídeos que são bem
legais pra quem gosta de fofocas e de ver o cirquinho pegar fogo 🙃,
mas deixa eu me concentrar nesses dois.
Então, os links pras legendas desses dois são:
http://anggtwu.net/2023-precisamos-de-mais-slogans.html
http://anggtwu.net/2023-visual-vs-auditivo.html
E tem um trecho do "Visual vs auditivo" que eu achei que valia super a
pena compartilhar com vocês - porque talvez inspire discussões bacanas
etc etc. É esse aqui:
http://anggtwu.net/2023-visual-vs-auditivo.html#45:14
45:14 Então nos últimos semestres,
45:18 principalmente a partir do início
45:19 da pandemia, eu passei a
45:21 achar muito importante trabalhar
45:22 justificativas e vários modos de escrever
45:24 elas em vários níveis de detalhe...
45:29 Agora deixa eu falar um pouquinho mais
45:30 sobre aumentar o nível de detalhe.
45:34 Imagina um amplificador, ou um aparelho
45:36 de som. Ele tem aquele botão redondo que
45:38 quando você roda você regula o nível
45:41 do volume para mais baixo ou mais alto.
45:44 Vamos imaginar que a gente também
45:46 tem um botão desses,
45:50 que quando a gente roda ele a gente
45:52 reduz o nível de detalhe ou aumenta o
45:56 nível de detalhe.
45:57 E os alunos tinham que saber fazer isso -
46:01 eles tinham que saber fazer as contas
46:03 tanto com nível de detalhe baixo quanto
46:06 com nível de detalhe bem alto.
46:09 E eu, inclusive...
46:13 a minha área de pesquisa tem sido
46:16 exatamente isso! Eu vi, há vários anos
46:19 atrás, que eu não tava conseguindo entender
46:20 artigos da minha área porque eu não
46:22 tinha as ferramentas mentais pra
46:23 estudar pra eles... e eu comecei a
46:25 descobrir exatamente como eu podia fazer
46:27 para pegar determinadas coisas que os
46:29 artigos fingiam que eram óbvias
46:33 e ir expandindo os detalhes delas... e
46:35 desenvolvi um montão de técnicas para
46:37 isso.
46:39 Um dos artigos é esse aqui -
46:41 repara que o título é "On the Missing
46:46 Diagrams in Category Theory", e
46:48 ele é exatamente sobre a idéia da gente
46:50 pegar as figuras que estão implícitas no
46:52 texto mas mas que não estão explícitas, e
46:56 a gente conseguir reconstruir essas
46:59 figuras que o autor não desenhou, que o
47:01 autor deixou como dever de casa para
47:03 gente.
47:06 E deixa mostrar um slide sobre isso, de
47:08 uma outra apresentação, que foi uma
47:09 apresentação em português que eu fiz...
47:12 eu vou botar link para ela na página
47:15 desse vídeo também.
47:18 Em Lógica é muito comum a gente usar
47:20 demonstrações nesse formato daqui,
47:23 que é um formato em árvore.
47:25 Nesse formato a gente tem que
47:27 olhar para cada barra em separado.
47:29 Vamos olhar para essa aqui por exemplo...
47:33 as coisas que estão em cima da barra são
47:35 hipóteses e a coisa que tá embaixo é uma
47:37 conclusão, e essa barra quer dizer o
47:39 seguinte: quando as hipóteses
47:41 em cima da barra forem verdadeiras
47:43 a conclusão também vai ser verdadeira.
47:46 E às vezes a gente faz uma distinção
47:49 muito estrita entre barras simples e
47:51 barras duplas. As barras simples querem
47:53 dizer que nesse passo daqui em que a
47:57 gente pegou essas hipóteses e obteve essa
47:59 a conclusão a gente usou uma das regras
48:02 de dedução padrão, mais básicas, e nesse
48:05 passo aqui,
48:07 em que tem uma barra dupla, a barra dupla
48:10 está indicando que na verdade tem um
48:13 monte de passos aqui mas em algum
48:14 sentido esses passos são "óbvios"...
48:15 pro nosso leitor padrão, no sentido dessa
48:21 idéia daqui, de lá do início, em que
48:26 a explicação do professor era pra
48:29 pessoas que estavam no nível 43
48:31 e as pessoas no nível 42 não entendiam...
48:36 Então: a barra dupla quer dizer que
48:39 quando a pessoa pra quem eu tou
48:41 apresentando estiver no nível certo
48:43 ela vai considerar que essa passagem
48:45 daqui é óbvia, no sentido de que ela
48:48 consegue expandir isso aqui pra mostrar
48:50 todos os detalhes...
48:53 e expandir os detalhes disso aqui
48:55 quer dizer transformar isso aqui
48:57 numa árvore maior. Eu gosto da
48:59 imagem de abrir uma sanfona - é como se
49:02 você estivesse com uma sanfona
49:04 na posição fechada...
49:06 ou vamos pensar num acordeon, que é mais
49:08 chique... e aí você abre o acordeon e
49:11 quando ele tá aberto você consegue ver o
49:13 fole dele. Vamos imaginar que tem uma
49:16 pintura no fole, e quando o fole está
49:18 aberto você consegue ver exatamente
49:20 que pintura é essa, você consegue ver os
49:21 detalhes. É o que acontece aqui: você abre
49:24 o acordeon e você consegue ver os
49:26 detalhes do que tava lá dentro, do que
49:28 tava fechado.
49:31 Então, voltando...
49:35 nas minhas matérias eu tenho exercitado
49:39 isso muito, e em praticamente todo ponto
49:42 da matéria em que os alunos costumavam
49:44 ter dúvidas
49:47 eu consegui fazer exercícios que ajudam
49:50 a gente a aumentar o nível de detalhe.
49:52 Então se alguém não souber como um
49:56 determinado passo é feito eu já tenho uma
49:58 figura para mostrar uma referência
50:00 daquilo... lembrem da idéia de que isso é
50:03 que é uma referência de como fazer...
50:05 então, muitas vezes eu tenho uma figura
50:06 parecida com o que a pessoa tem que
50:09 fazer e a pessoa olha para aquela figura
50:10 e pensa "ah, legal, vou fazer desse jeito",
50:13 e aí ela tenta fazer uma versão modificada
50:17 daquela figura pro problema que ela tá
50:19 trabalhando, e isso ajuda muito.
50:24 Então, voltando... eu tenho um monte de
50:28 situações em que eu já tenho as figuras
50:29 pra isso, os exercícios pra isso em
50:31 muitos casos eu tenho a figura de uma
50:34 solução para aquele exercício,
50:38 ou pra um exercício bem parecido...
50:43 Deixa eu só voltar um instantinho pra
50:45 comparação entre o visual e o auditivo...
50:48 Quando uma pessoa é muito auditiva não
50:51 existe essa ideia de você abrir os
50:54 detalhes e mostrar todos os
50:56 detalhes... isso aqui
50:58 teria que ser feito por voz!
51:02 E como eu sou muito visual eu acho que o
51:06 que funciona melhor é a gente
51:08 ter figuras mostrando os detalhes, e
51:12 sempre dá para mostrar de um lado a
51:14 versão com menos detalhes e do outro
51:16 lado a versão com mais detalhes.
51:19 E em algumas situações se a gente precisa
51:21 de mais detalhe ainda, dá para fazer uma
51:22 terceira versão à direita
51:24 com mais detalhes ainda, e as
51:26 pessoas começam a ter uma ideia
51:29 de como é que é um computador faria
51:31 essas expansões se a gente pudesse
51:33 clicar numa coisa, numa barra, e o
51:37 computador interpretasse isso como
51:39 "expande essa barra aqui".
51:45 E nessa imagem que eu tô fazendo, as
51:48 pessoas muito auditivas...
51:49 elas não têm essa ideia de que
51:53 a explicação pode ser dada com figuras...
51:55 elas basicamente dizem: "não, esse passo
51:58 aqui é óbvio, vai estudar"...
52:01 e aí o aluno vai estudar aquilo, ele
52:04 estuda, estuda, estuda, e quando ele volta
52:07 no dia seguinte
52:09 ele virou uma pessoa pra quem aquele
52:11 passo é óbvio, mas ele não sabe explicar
52:13 pra outra pessoa, pra uma terceira
52:16 pessoa porque aquele passo é óbvio...
52:19 Ele só sabe dizer: "é óbvio, se vira".
52:21 Então eu tenho achado muito útil
52:24 produzir essas figuras que faltam.
[[]] =),
Eduardo Ochs
http://anggtwu.net/2023-caepro.html
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