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Kind: captions
Language: en-GB

00:00:00.000 --> 00:00:03.000
- [Eduardo] Tá bom. Esse aqui é meu slide de título...

00:00:03.000 --> 00:00:05.000
- [Alex] Sim, a gente consegue ver.

00:00:05.000 --> 00:00:06.000
- [Eduardo] Tá.

00:00:06.000 --> 00:00:08.000
- [Alex] O seu slide de título, né?

00:00:08.000 --> 00:00:09.000
- [Eduardo] Tá, então vou começar...

00:00:09.000 --> 00:00:13.000
- [Alex] Ok. Muito bem... pode começar.

00:00:13.000 --> 00:00:19.000
- [Eduardo] Então, o título é esse aqui, e eu vou explicar ele num slide que tem um pouquinho mais de texto.

00:00:19.000 --> 00:00:21.000
Bom, primeira a dedicatória, tá? É...

00:00:21.000 --> 00:00:29.000
"Para Walter Machado Pinheiro, que não leu e não vai ler documento nenhum, e se ler não vai entender".

00:00:29.000 --> 00:00:33.000
Essa apresentação é sobre vários problemas práticos que eu tou tendo.

00:00:33.000 --> 00:00:39.000
Alguns têm a ver com ensino, outros têm a ver com os zumbis, que são... vou explicar depois o que são.

00:00:39.000 --> 00:00:43.000
E o Walter Machado Pinheiro é um é um colega meu - professor titular - que virou um zumbi.

00:00:43.000 --> 00:00:52.000
Outro problema bem importante são as assombrações, mas eu vou explicar isso aos pouquinhos... tá?

00:00:52.000 --> 00:00:58.000
Primeiro... há um tempo atrás o o Alex me mandou uma mensagem me perguntando se eu podia fazer uma apresentação aqui...

00:00:58.000 --> 00:01:02.000
e eu fiquei bem empolgado porque eu tou tentando escrever um artigo sobre Educação Matemática,

00:01:02.000 --> 00:01:09.000
sobre coisas que até um ano atrás eu nem sabia que esse material existia,

00:01:09.000 --> 00:01:17.000
e aí eu dei um jeito de encaixar isso na... nesse evento de hoje. Aí a ideia é essa aqui, ó.

00:01:17.000 --> 00:01:23.000
Vou falar rapidinho e a gente começa direto com com o material mais prático.

00:01:23.000 --> 00:01:27.000
É... qual é a ordem mais natural para aprender as regras lógicas quando você chega em cálculo...

00:01:27.000 --> 00:01:30.000
Eu dou aula de Cálculo 2 e Cálculo 3 num lugar muito ruim, tá?

00:01:30.000 --> 00:01:39.000
...sabendo só o método para resolver coisas como 2+x=5, mas não sabendo substituir x por 3 em 2+x=5.

00:01:39.000 --> 00:01:44.000
Ou seja, as pessoas estão chegando em Cálculo 2 sabendo _métodos_,

00:01:44.000 --> 00:01:49.000
mas não sabendo verificar coisas, e não tendo nenhuma noção de Verdade.

00:01:49.000 --> 00:01:52.000
Eles só sabem decorar métodos e seguir eles.

00:01:52.000 --> 00:01:56.000
Eu não sou um especialista de verdade em Educação Matemática, mas eu tou há meses baixando maniacamente

00:01:56.000 --> 00:02:01.000
livros e artigos sobre Educação Matemática e seguindo referências bibliográficas...

00:02:01.000 --> 00:02:04.000
E as pessoas que com as quais eu conversei me disseram que acham

00:02:04.000 --> 00:02:08.000
que agora eu conheço a literatura sobre Educação Matemática melhor do que elas.

00:02:08.000 --> 00:02:12.000
Então eu resolvi organizar isso aqui e no mínimo, se ficasse muito ruim...

00:02:12.000 --> 00:02:17.000
vocês teriam uma bibliografia com os 40 melhores livros e artigos que que encontrei.

00:02:17.000 --> 00:02:22.000
Então vamos começar. Deixa eu me apresentar.

00:02:22.000 --> 00:02:24.000
É o seguinte, eu... o meu nome é Eduardo Ochs,

00:02:24.000 --> 00:02:28.000
eu trabalho num campus pequeno que a UFF tem no interior do estado do Rio,

00:02:28.000 --> 00:02:34.000
o PURO, Pólo Universitário de Rio das Ostras, que tá infestado de zumbis, que eu vou falar sobre isso depois...

00:02:34.000 --> 00:02:39.000
E a minha área de pesquisa é... eu não tou muito ativo nela, mas era principalmente Categorias...

00:02:39.000 --> 00:02:44.000
e eu passei anos empacado no que eu tava estudando em Categorias, porque eu fiquei...

00:02:44.000 --> 00:02:48.000
na verdade não entendia direito os livres que eu deveria estar... que eu deveria estar entendendo...

00:02:48.000 --> 00:02:53.000
e eu desempaquei quando eu comecei a encontrar técnicas pra fazer contas em vários níveis de detalhe em paralelo,

00:02:53.000 --> 00:02:58.000
como aqui - tem um exemplo aqui à direita. Então isso aqui é mais ou menos parecido.

00:02:58.000 --> 00:03:03.000
- [Alex] Eduardo, eu acho que... o slide não tá aparecendo pra gente agora.

00:03:03.000 --> 00:03:09.000
- [Eduardo] Sério? É... aparece o Emacs com um tela preta agora?

00:03:09.000 --> 00:03:10.000
- [Alex] Não. Tá aparecendo uma...

00:03:10.000 --> 00:03:16.000
- [Eduardo] Deixa eu ver... será que ele congelou? Ele tá congelado.

00:03:16.000 --> 00:03:19.000
- [Alex] Acho que congelou.

00:03:19.000 --> 00:03:23.000
- [Eduardo] Ai, meu deus... Alguém sabe como é que eu faço para descongelar?

00:03:23.000 --> 00:03:28.000
- [Marcos] Acho que tem que sair da sair da apresentação e voltar pra apresentação.

00:03:28.000 --> 00:03:56.000
- [Eduardo] Sair do share screen e voltar? Vou tentar. Pera aí. Agora ele tá compartilhando minha tela?

00:03:56.000 --> 00:04:00.000
- [Guilherme] É a tela inteira, né?

00:04:00.000 --> 00:04:04.000
- [Eduardo] Isso. Pera aí, deixa eu ver se eu consigo voltar pro slide.

00:04:04.000 --> 00:04:06.000
- [Marcos] Aí. Voltou.

00:04:06.000 --> 00:04:14.000
- [Eduardo] Tá. Então, eu tou nessa figura daqui. Então, os livros tinham coisas como isso aqui... Agora não tá congelado não, né?

00:04:14.000 --> 00:04:16.000
- [Alex] Não. Dá para ver.

00:04:16.000 --> 00:04:21.000
- [Eduardo] Tá. E eu descobri que eu podia expandir essas figuras, que eram muito abstratas, em figuras como essa aqui,

00:04:21.000 --> 00:04:27.000
que eram concretas o suficiente, e eu conseguia entender. Aí aqui eu conseguia ter intuição sobre que que tava acontecendo aqui...

00:04:27.000 --> 00:04:33.000
Aqui era tudo formal demais... eu às vezes nem conseguia fazer as contas de tão abstratas que as coisas eram...

00:04:33.000 --> 00:04:38.000
e aqui eu tinha bastante intuição sobre o que que acontecia.

00:04:38.000 --> 00:04:42.000
Aí eu encontrei essas técnicas pra fazer as contas em vários níveis de detalhe em paralelo...

00:04:42.000 --> 00:04:48.000
e eu fui encontrando jeitos de adaptar elas para coisas mais básicas também.

00:04:48.000 --> 00:04:52.000
Então, num dos meus primeiros artigos, tem esse exemplo aqui,

00:04:52.000 --> 00:04:57.000
em que a gente começa com essa demonstração daqui, aí a gente transforma ela num caso particular

00:04:57.000 --> 00:05:05.000
e depois a gente deleta a parte do meio e fica só com essa expressão daqui e essa expressão daqui, e ela vira só isso.

00:05:05.000 --> 00:05:07.000
Então, tem uma formalização do que que são essas idéias.

00:05:07.000 --> 00:05:10.000
Isso aqui funciona como uma _projeção_, isso aqui funciona como outra...

00:05:10.000 --> 00:05:14.000
tem uma idéia de _levantamento_, e coisas assim.

00:05:14.000 --> 00:05:18.000
E os alunos têm piorado MUITO. E da pandemia para cá a gente começou a ter MUITOS alunos

00:05:18.000 --> 00:05:22.000
que acham que o problema... que o objetivo de cada problema nas matérias que eu dou

00:05:22.000 --> 00:05:26.000
é só chegar no resultado - e chegar no resultado o mais rápido possível.

00:05:26.000 --> 00:05:29.000
Então pra eles, a resposta pra uma... pra uma questão como essa aqui,

00:05:29.000 --> 00:05:34.000
que deveria ser uma conta enorme de meia página, no mínimo, é só esse é resultado final.

00:05:34.000 --> 00:05:41.000
Eles não entendem o que que é a conta ficar clara e fácil de explicar.

00:05:41.000 --> 00:05:43.000
E aí, repara, nós que somos lógicos,

00:05:43.000 --> 00:05:48.000
nós estamos acostumados com objetos que são como sanfonas que têm muita coisa estampada no fole...

00:05:48.000 --> 00:05:54.000
quando a sanfona tá fechada a gente não vê nenhum detalhe do fole, mas quando a gente abre a safona, a gente vê tudo.

00:05:54.000 --> 00:06:00.000
Em árvores de dedução é comum a barra dupla significar "aqui o fole tá fechado", como aqui.

00:06:00.000 --> 00:06:03.000
Ou: "aqui a gente tá omitindo alguns passos"...

00:06:03.000 --> 00:06:06.000
ou "aqui a gente tá omitido alguns passos que são _óbvios_" - em algum sentido.

00:06:06.000 --> 00:06:11.000
Se a gente abre essa sanfona daqui, ela vira toda essa coisa daqui.

00:06:11.000 --> 00:06:15.000
E se a gente abre essa, ela vira isso. Repara que até tem umas coisas extras,

00:06:15.000 --> 00:06:21.000
uns nós extras na árvore, que estão descarregados... então tem muita coisa nova que aparece.

00:06:21.000 --> 00:06:24.000
E aí isso aqui é de um outro artigo meu, e tal.

00:06:24.000 --> 00:06:28.000
Deixa eu dar um outro exemplo que é muito útil pros alunos.

00:06:28.000 --> 00:06:31.000
Um bom jeito da gente introduzir essa idéia para pessoas que sabem muito pouca Matemática

00:06:31.000 --> 00:06:35.000
é a gente começar por "game trees", tá... árvores de jogos.

00:06:35.000 --> 00:06:37.000
Então vamos começar com um pedacinho da árvore do Jogo da Velha.

00:06:37.000 --> 00:06:41.000
Essa figura aqui eu tirei de um livro sobre Haskell, o livro do Hutton...

00:06:41.000 --> 00:06:44.000
e ele sabe fazer programas que...

00:06:44.000 --> 00:06:48.000
ele sabe usar programas que desenham essas coisas com setinhas... eu sou muito ruim nisso...

00:06:48.000 --> 00:06:52.000
e aí eu resolvi formatar iso de um outro jeito usando só LaTeX.

00:06:52.000 --> 00:07:01.000
Então essa árvore da direita - opa - ela é equivalente à anterior... péra aí... caramba, péra...

00:07:01.000 --> 00:07:05.000
Essa árvore da direita ela é equivalente à anterior, mas ela tá desenhada de um jeito diferente...

00:07:05.000 --> 00:07:09.000
A raiz tá aqui, os três nós filhos da raiz são esses daqui...

00:07:09.000 --> 00:07:13.000
então tem uma seta implícita aqui, outra aqui e outra aqui...

00:07:13.000 --> 00:07:15.000
os filhos dessa aqui são essa e essa...

00:07:15.000 --> 00:07:24.000
E eu ainda por cima tou usando cores pra indicar a última jogada e cores para indicar quando alguém ganhou o jogo.

00:07:24.000 --> 00:07:29.000
Então, daria pra desenhar a árvore... a árvore toda.. mas a gente NÃO QUER.

00:07:29.000 --> 00:07:33.000
Também daria pra... a gente pode imaginar que a gente... que isso aqui, é...

00:07:33.000 --> 00:07:36.000
tá sendo mostrado por um computador, e a gente tem um programa com uma interface,

00:07:36.000 --> 00:07:40.000
e a gente poderia apertar um botão que desativa as cores,

00:07:40.000 --> 00:07:44.000
ou apertar botões que mudam entre esse formato e esse, coisas assim.

00:07:44.000 --> 00:07:48.000
Então vamos imaginar que os nossos objetos expansíveis são objetos que um

00:07:48.000 --> 00:07:55.000
computador pode mostrar e que a gente controla o nível de detalhe deles.

00:07:55.000 --> 00:08:00.000
Em Cálculo é muito importante a gente poder pensar em termos de contas expansíveis.

00:08:00.000 --> 00:08:06.000
Repara que pra gente, nós, que somos Lógicos, é óbvio que dá pra gente expandir essa conta daqui...

00:08:06.000 --> 00:08:09.000
Acho que não preciso ampliar porque os detalhes não são tão importantes...

00:08:09.000 --> 00:08:14.000
E ela vira toda essa conta daqui da direita. Nessa conta daqui da direita,

00:08:14.000 --> 00:08:18.000
essa coisa, que a gente considera como uma sanfona fechada,

00:08:18.000 --> 00:08:21.000
virou um montão de passos em que cada passo é fácil de justificar.

00:08:21.000 --> 00:08:26.000
Na verdade isso aqui é um pedaço de uma animação maior - deixa eu ver se eu consigo mostrar ela.

00:08:26.000 --> 00:08:31.000
Isso aqui é exatamente um trecho do livro do Stewart que a gente usa... o livro de Cálculo que a gente usa.

00:08:31.000 --> 00:08:38.000
E isso aqui é a minha animação. Aqui a conta com... com todos os passos, mas sem muitos detalhes...

00:08:38.000 --> 00:08:41.000
aí a gente introduz os números das igualdades...

00:08:41.000 --> 00:08:46.000
aí a gente começa a dar highlight em... em o que que cada igualdade tá fazendo...

00:08:46.000 --> 00:08:50.000
por exemplo, a igualdade (5) tá dizendo que essa expressão é igual a essa...

00:08:50.000 --> 00:08:56.000
aí a gente muda pra um outro modo de expor isso aqui...

00:08:56.000 --> 00:09:00.000
E a gente vê que nessa igualdade (3) o que tá mudando é que essa expressão aqui

00:09:00.000 --> 00:09:06.000
foi transformada nessa... ou seja, essa expressão é igual a essa, e o resto não mudou.

00:09:06.000 --> 00:09:10.000
E a gente pode ampliar mais isso para colocar justificativas.

00:09:10.000 --> 00:09:15.000
Então... é comum a gente ver justificativas desse jeito, mas com o nome das regras em Português...

00:09:15.000 --> 00:09:19.000
mas vamos imaginar que todo mundo conhece esse nome... esses nomes dessas regras daqui.

00:09:19.000 --> 00:09:25.000
Isso é regra do produto pra derivada, isso é a regra da multiplicação por constante, e tal.

00:09:25.000 --> 00:09:30.000
Também dá pra gente ampliar mais e a gente imaginar que a gente tá...

00:09:30.000 --> 00:09:35.000
que uma pessoa fez a demonstração e tá explicando ela pra outra, e essa outra pessoa pode fazer perguntas...

00:09:35.000 --> 00:09:38.000
"não entendi esse passo aqui, você pode me explicar ele melhor?"

00:09:38.000 --> 00:09:42.000
E, então, nesse passo aqui... vamos pegar esse...

00:09:42.000 --> 00:09:45.000
daqui para cá a gente usou a Regra da Multiplicação por Constante.

00:09:45.000 --> 00:09:52.000
Aí a pessoa diz: "tá, acredito, mas não consigo fazer essa conta de cabeça, você pode mostrar mais detalhes para mim?"

00:09:52.000 --> 00:10:00.000
E a gente diz "a gente vai fazer a regra da multiplicação por constante com com c=6 e f(x)=x^3".

00:10:00.000 --> 00:10:02.000
E a pessoa diz: "Você pode mostrar mais detalhes disso?"

00:10:02.000 --> 00:10:03.000
E a gente responde pra ela isso.

00:10:03.000 --> 00:10:06.000
A regra da multiplicação por constante é essa igualdade aqui,

00:10:06.000 --> 00:10:09.000
que eu desenhei com uma quebra de linha aqui...

00:10:09.000 --> 00:10:12.000
Aqui tem essas instruções pra obter um caso particular,

00:10:12.000 --> 00:10:18.000
e o caso particular é esse: a derivada de 6 x^3 é 6 vezes isso aqui,

00:10:18.000 --> 00:10:20.000
que é exatamente o que tá acontecendo aqui, tá?

00:10:20.000 --> 00:10:24.000
Então isso é a ideia de "demonstração expansível",

00:10:24.000 --> 00:10:27.000
e é isso que os alunos têm que entender.

00:10:27.000 --> 00:10:32.000
Então, deixa eu voltar paraos meus slides aqui. Primeiro...

00:10:32.000 --> 00:10:37.000
- [Alex] Eduardo, eu não sei se o seu slide agora

00:10:37.000 --> 00:10:44.000
parece que ficou congelado naquela conta com a equação 3...

00:10:44.000 --> 00:10:47.000
- [Eduardo] Ih, tá congelado de novo. Vou fazer o truque de novo, tá?

00:10:47.000 --> 00:10:49.000
- [Alex] Tá bom. Beleza.

00:10:49.000 --> 00:11:16.000
- [Eduardo] Quando isso acontecer de novo, me avisa que eu vou ficar mexendo muito no mouse... nos slides.

00:11:16.000 --> 00:11:18.000
Agora foi?

00:11:18.000 --> 00:11:20.000
- [Alex] Sim, voltou.

00:11:20.000 --> 00:11:26.000
- [Eduardo] Tá. Então pra muitos alunos esse tipo de coisa aqui é assustador.

00:11:26.000 --> 00:11:33.000
Eles ficam com uma cara de pânico e pela cara deles a gente vê que eles nunca viram algo tão abstrato na vida.

00:11:33.000 --> 00:11:39.000
E a reação deles quando eles fazem essa cara de "eu nunca vi algo tão abstrato na vida"

00:11:39.000 --> 00:11:43.000
é de pensar: "eu vou fazer de tudo pra aprender isso depois,

00:11:43.000 --> 00:11:50.000
para deixar para depois, ou para mais depois ainda... ou se possível NUNCA".

00:11:50.000 --> 00:11:53.000
Eu lembro do tempo em que todo mundo usava a expressão "pons asinorum".

00:11:53.000 --> 00:11:57.000
Isso aqui é uma "pons asinorum" bem conhecida do pessoal de Educação Matemática...

00:11:57.000 --> 00:12:01.000
eu não conhecia nada da literatura sobre isso até um ano atrás,

00:12:01.000 --> 00:12:05.000
e um dos meus objetivos nessa apresentação vai ser mostrar um pouco disso para vocês,

00:12:05.000 --> 00:12:09.000
com links pros melhores livros e artigos que eu encontrei.

00:12:09.000 --> 00:12:12.000
Deixa eu mostrar uma outra coisa em que vale...

00:12:12.000 --> 00:12:17.000
que é muito legal da gente entender como objetos expansíveis.

00:12:17.000 --> 00:12:22.000
Uma coisa bem básica quando a gente começa a aprender Cálculo e coisas assim é construções com conjuntos.

00:12:22.000 --> 00:12:25.000
A gente vai usar isso para desenhar gráficos, por exemplo.

00:12:25.000 --> 00:12:29.000
Normalmente Cálculo já começa com conjuntos infinitos, como gráficos de funções e coisas assim,

00:12:29.000 --> 00:12:34.000
mas é melhor a gente começar com casos onde tudo é finito.

00:12:34.000 --> 00:12:39.000
Então a gente tem duas notações que parecem iguais porque elas têm essas chaves e essa barrinha no meio,

00:12:39.000 --> 00:12:44.000
mas na verdade elas são diferentes. Essa daqui corresponde a esse programa daqui...

00:12:44.000 --> 00:12:45.000
- [Alex] Eduardo -

00:12:45.000 --> 00:12:46.000
- [Eduardo] Congelou de novo?

00:12:46.000 --> 00:12:48.000
- [Alex] Você tá no slide 10? Acho que não, né?

00:12:48.000 --> 00:12:50.000
- [Eduardo] Não, tou no 11. Congelou, né?

00:12:50.000 --> 00:12:52.000
- [Alex] É, congelou.

00:12:52.000 --> 00:13:01.000
- [Eduardo] Ai, caramba. Pera aí. Acho que meu computador é lento e aí ele tá meio...

00:13:01.000 --> 00:13:04.000
a gente vai ter que fazer isso zilhões de vezes.

00:13:04.000 --> 00:13:10.000
- [Alex] Se você quiser, é... é em PDF, você pode me mandar pro WhatsApp o PDF?

00:13:10.000 --> 00:13:15.000
- [Eduardo] Não, eu vou ter que ficar apontando muita coisa, então vamos fazer isso toda vez que precisar.

00:13:15.000 --> 00:13:17.000
É só você me avisar quando congelou de novo. É o jeito.

00:13:17.000 --> 00:13:33.000
- [Alex] Beleza.

00:13:33.000 --> 00:13:45.000
- [Eduardo] Eita, pera aí.

00:13:45.000 --> 00:13:47.000
Você consegue ver meu slide agora?

00:13:47.000 --> 00:13:49.000
- [Alex] Sim.

00:13:49.000 --> 00:13:54.000
- [Eduardo] Tá. Então, quando a gente tem muita prática a gente consegue olhar isso aqui,

00:13:54.000 --> 00:14:00.000
essa expressão daqui e ver que o resultado é o conjunto {4,9}. Mas no início a gente não tem tanta prática,

00:14:00.000 --> 00:14:02.000
e a gente precisa dividir isso em vários passos...

00:14:02.000 --> 00:14:08.000
Então, no primeiro passo a gente faz umas anotações dizendo que isso é um gerador, isso é um filtro...

00:14:08.000 --> 00:14:12.000
aí a gente pode transformar pra essa notação daqui que integra as duas expressões...

00:14:12.000 --> 00:14:18.000
aí a gente consegue entender tudo isso como programinhas e consegue entender os detalhes.

00:14:18.000 --> 00:14:23.000
E aí eu costumo começar alguns cursos com esses exercícios porque eles servem para muita coisa.

00:14:23.000 --> 00:14:28.000
Aqui tem um exemplo um pouquinho maior, que dá essa figura, que é esse triangulinho daqui,

00:14:28.000 --> 00:14:36.000
com, deixa eu ver... nove pontos...

00:14:36.000 --> 00:14:40.000
E... eu uso set comprehension nos meus cursos desde 2010 e bolinha,

00:14:40.000 --> 00:14:46.000
e eu tenho um material que tem um montão de exercícios super bem graduados em termos de dificuldade...

00:14:46.000 --> 00:14:49.000
os exercícios tem essa cara daqui, cada um dá um desenhinho...

00:14:49.000 --> 00:14:54.000
e costumam servir pros alunos relembrarem coisas como a equação da reta, e coisas assim...

00:14:54.000 --> 00:14:56.000
e pra outras coisas muito importantes.

00:14:56.000 --> 00:15:01.000
Tipo, eles começam a treinar como fazer exercícios em grupo, começam a treinar como discutir,

00:15:01.000 --> 00:15:05.000
como fazer perguntas boas, e coisas assim. E eles também aprendem

00:15:05.000 --> 00:15:10.000
como aproximar figuras que tenham infinitos pontos, como é o gráfico de uma reta ou de uma parábola,

00:15:10.000 --> 00:15:15.000
por figuras com número finito de pontos, e um monte de outras coisas.

00:15:15.000 --> 00:15:20.000
Então aqui tem mais uns detalhes... aqui tem um slide sobre um tipo de jogo que a gente faz pra...

00:15:20.000 --> 00:15:27.000
eu defino as regras de um jogo colaborativo e os alunos aprendem a fazer hipóteses e testar hipóteses.

00:15:27.000 --> 00:15:30.000
É... e aqui tem uma uma coisa que eu acho que eu vou pular por questões de tempo,

00:15:30.000 --> 00:15:35.000
que é como é que a gente pode eh transformar isso aqui, que a gente já viu que era um programinha,

00:15:35.000 --> 00:15:39.000
numa árvore que mostra como calcular isso aqui passo a passo.

00:15:39.000 --> 00:15:41.000
Tá. Então, vou pular isso aqui,

00:15:41.000 --> 00:15:45.000
mas isso é só para discutir vários tipos de expansão, em que um objeto muito difícil de entender vira objetos

00:15:45.000 --> 00:15:53.000
que a gente consegue entender eles mais passo a passo.

00:15:53.000 --> 00:16:00.000
É... então... os alunos de Cálculo 2, eles antigamente eles faziam passos errados,

00:16:00.000 --> 00:16:05.000
como esse daqui, em que aqui tem uma simplificação bizarra com raiz quadrada... e eu costumava dizer:

00:16:05.000 --> 00:16:15.000
"vamos desenhar esses dois conjuntos aqui, o que corresponde a essa expressão e o que corresponde a essa, como gráficos".

00:16:15.000 --> 00:16:20.000
Para desenhar eles como gráficos a gente vai ter que usar essas set comprehensions daqui.

00:16:20.000 --> 00:16:24.000
Aí esse aqui vira um semicírculo, o segundo vira uma reta, e eles conseguiam entender o que que tava errado.

00:16:24.000 --> 00:16:30.000
Eles conseguiam ver que tinha alguma coisa errada nesse passo, e eles descobriam o quê.

00:16:30.000 --> 00:16:35.000
Mas hoje em dia, quando eu mostro isso, eles não entendem NADA.

00:16:35.000 --> 00:16:38.000
É... deixa eu falar um pouquinho sobre o que que é esse "nada"

00:16:38.000 --> 00:16:42.000
pra dar uma noção para vocês de sobre o que que vai ser essa apresentação.

00:16:42.000 --> 00:16:48.000
Isso aqui é um dos artigos mais legais sobre Educação Matemática que eu encontrei...

00:16:48.000 --> 00:16:56.000
e aí... o autor do artigo, o Hewitt, ele conta da experiência dele com alunos de 14, 15 anos...

00:16:56.000 --> 00:17:04.000
e aí tem um aluno que tem que resolver essa equação daqui, x-y=2, e ele faz TUDO errado.

00:17:04.000 --> 00:17:09.000
E aí o Hewitt comenta que o aluno lembra vagamente quais são as regras mas não sabe aplicar eles direito,

00:17:09.000 --> 00:17:14.000
tipo, ouviu o galo cantar e  não lembra onde.

00:17:14.000 --> 00:17:16.000
É... então isso é o que tá acontecendo.

00:17:16.000 --> 00:17:21.000
Eu precisava entender isso com mais detalhes pra eu descobrir como resolver.

00:17:21.000 --> 00:17:23.000
Deixa eu ver... é...

00:17:23.000 --> 00:17:27.000
deixa eu dar um exemplo mais preciso do que tava acontecendo.

00:17:27.000 --> 00:17:31.000
No final do curso de Cálculo 2 a gente vê um pouquinho de equações diferenciais, que eu não vou mostrar o que é...

00:17:31.000 --> 00:17:35.000
imagino que pouca gente aqui tenha feito Cálculo...

00:17:35.000 --> 00:17:40.000
e no final do curso, 70% dos alunos não entendiam certas ideias que DEVERIAM ser básicas...

00:17:40.000 --> 00:17:44.000
e eles DESISTIAM de entender - isso que era o pior.

00:17:44.000 --> 00:17:50.000
Aí considera esse problema aqui. Encontre a solução geral da equação diferencial BLÁ...

00:17:50.000 --> 00:17:54.000
depois encontre a solução particular que passa por esse ponto verde daqui.

00:17:54.000 --> 00:17:59.000
Depois encontre a que passa por esse ponto azul daqui e teste as duas.

00:17:59.000 --> 00:18:03.000
A solução particular que passa pelo ponto verde é o semicírculo de cima...

00:18:03.000 --> 00:18:05.000
- [Alex] Ô, ô, Eduardo...

00:18:05.000 --> 00:18:06.000
- [Eduardo] Congelou de novo?

00:18:06.000 --> 00:18:07.000
- [Alex] Eu acho que sim.

00:18:07.000 --> 00:18:10.000
- [Eduardo] Tá, eu vou ficar mexendo o mouse o tempo todo, então quando congelar...

00:18:10.000 --> 00:18:13.000
- [Alex] Ah, tá bom. Eu vou olhar pro mouse, então. Tá bom.

00:18:13.000 --> 00:18:35.000
- [Eduardo] Tá bom. Deixa eu tentar mais uma vez.

00:18:35.000 --> 00:18:37.000
Voltou?

00:18:37.000 --> 00:18:39.000
- [Alex] Sim.

00:18:39.000 --> 00:18:44.000
- [Eduardo] Tá. Então, 70% dos alunos ficavam perdidos aqui.

00:18:44.000 --> 00:18:49.000
Eles até entendiam que o método... entendiam em algum nível que o método

00:18:49.000 --> 00:18:55.000
dava uma solução positiva e uma solução negativa, mas eles não faziam ideia de como testar as duas pra ver qual era

00:18:55.000 --> 00:18:58.000
a que passava por um certo ponto, como esse ou esse...

00:18:58.000 --> 00:19:06.000
e o problema terminava com "teste suas respostas" e eles não entendiam o que que era testar uma solução...

00:19:06.000 --> 00:19:11.000
aí eles erravam nas contas de teste de propósito para fingir que tudo tinha dado certo

00:19:11.000 --> 00:19:15.000
e eles só tinham cometido um errinho de conta aqui e ali.

00:19:15.000 --> 00:19:18.000
E se eu mantivesse o o critério de correção óbvio, esses alunos

00:19:18.000 --> 00:19:20.000
só perderiam um ponto numa questão de cinco pontos,

00:19:20.000 --> 00:19:24.000
e eles nunca teriam motivação suficiente pra aprender uma coisa que é importante

00:19:24.000 --> 00:19:28.000
mas que é difícil, e que para mim é muito básica.

00:19:28.000 --> 00:19:35.000
Eu queria encontrar critérios de correção que mediam o quanto eles sabiam... é...

00:19:35.000 --> 00:19:38.000
e não medisse só quantos % dos problemas-padrão eles conseguiam resolver.

00:19:38.000 --> 00:19:44.000
E eu queria ajustar esses critérios para fazer os alunos aprenderem certas coisas rápido

00:19:44.000 --> 00:19:47.000
ao invés de deixarem elas sempre para depois.

00:19:47.000 --> 00:19:51.000
Os critérios estabeleceriam PRIORIDADES.

00:19:51.000 --> 00:19:54.000
Deixa eu contar uma historinha aqui, mas eu vou contar ela super rápido,

00:19:54.000 --> 00:19:58.000
porque eu vou supor que muita gente já leu essa essa história por aí.

00:19:58.000 --> 00:20:00.000
Ela já foi postada na lista de Lógica, e coisas assim.

00:20:00.000 --> 00:20:07.000
O Feynman passou pelo Brasil algumas vezes e em 52 ele passou um tempo dando aula no CBPF.

00:20:07.000 --> 00:20:11.000
Aí ele descobriu que quando ele dava as aulas dele, e quando os outros davam aulas,

00:20:11.000 --> 00:20:19.000
os alunos não entendiam nada. Os alunos decoravam tudo, mas não absorviam o significado de nada.

00:20:19.000 --> 00:20:24.000
E ele começou a tentar entender o que tava acontecendo ali...

00:20:24.000 --> 00:20:29.000
e ele fez uns comentários bem interessantes.

00:20:29.000 --> 00:20:32.000
é... ele descobriu que...

00:20:32.000 --> 00:20:35.000
bom, ele tentou ensinar os alunos a resolverem problemas por tentativa e erro,

00:20:35.000 --> 00:20:38.000
que era uma coisa que eles normalmente não aprendiam...

00:20:38.000 --> 00:20:43.000
aí ele tentou ensinar o método para para testar coisas... por tentativa e erro,

00:20:43.000 --> 00:20:47.000
e só 10% dos alunos resolveram a primeira tarefa.

00:20:47.000 --> 00:20:52.000
Aí o Feynman deu um esporro neles dizendo que eles precisavam tentar...

00:20:52.000 --> 00:20:56.000
e aí uns alunos fizeram uma delegação depois, e disseram que ele, Feynman,

00:20:56.000 --> 00:21:00.000
não entendia a formação deles. Eles eram "capazes de estudar sem resolver problemas"...

00:21:00.000 --> 00:21:03.000
eles já tinham aprendido Aritmética e coisas assim,

00:21:03.000 --> 00:21:07.000
e as coisas que ele tava dizendo estavam "abaixo do nível deles".

00:21:07.000 --> 00:21:10.000
E é exatamente isso que tá acontecendo com os meus alunos.

00:21:10.000 --> 00:21:15.000
Eles estão chegando com uma noção bizarra de Matemática em que "entender Matemática" para eles é algo

00:21:15.000 --> 00:21:18.000
totalmente diferente do que "entender Matemática" para mim.

00:21:18.000 --> 00:21:23.000
Então pra alguns deles entender alguma coisa de Matemática é você, por exemplo,

00:21:23.000 --> 00:21:28.000
saber explicar ela em Português... Aí eles decoram a explicação em Português e acham que entenderam.

00:21:28.000 --> 00:21:33.000
Deixa eu fazer um modelinho mental pra eu explicar as coisas que vão vir depois.

00:21:33.000 --> 00:21:37.000
Vamos pensar num aluno. Bom, tem vários tipos de aluno, né?

00:21:37.000 --> 00:21:40.000
Então vamos pensar que tem os alunos que estudam muito e os alunos que estudam pouco.

00:21:40.000 --> 00:21:45.000
Os que estudam pouco não nos interessam. Vamos pensar só nos alunos que estudam muito.

00:21:45.000 --> 00:21:51.000
A gente pode estar falando de um aluno que "estudou decorando" no sentido do CBPF...

00:21:51.000 --> 00:21:56.000
eu vou chamar ele de Alex, só porque começa com A, não é o Alex que me convidou para cá...

00:21:56.000 --> 00:21:59.000
e um outro aluno que "estudou entendendo".

00:21:59.000 --> 00:22:04.000
Então esse estudou no estilo CBPF, esse estudou no estilo Feynman... são o Alex e o Bob.

00:22:04.000 --> 00:22:08.000
Se eles forem fazer a prova do CBPF - vou simplificar um pouquinho, tá?

00:22:08.000 --> 00:22:15.000
O aluno que estuda decorando tira 10 e o outro tira uma nota muito baixa... digamos 0, pra simplificar.

00:22:15.000 --> 00:22:21.000
Então o cara que entendeu se ferrou e era para ele ter aprendido que ele não tem tempo pra aprender...

00:22:21.000 --> 00:22:26.000
pra entender nada, ele tem mesmo é que decorar. Mas se eles forem fazer a prova do Feynman acontece o contrário...

00:22:26.000 --> 00:22:31.000
O aluno que estudou decorando tira 0 e o aluno que estudou entendendo tira 10.

00:22:31.000 --> 00:22:39.000
E aí se tudo der certo o Alex, que estuda decorando, ele vai pensar: "Eu preciso aprender outro jeito de estudar".

00:22:39.000 --> 00:22:41.000
Então olha esse diagraminha daqui.

00:22:41.000 --> 00:22:44.000
Tem alunos que estudam entendendo, alunos que estudam decorando,

00:22:44.000 --> 00:22:48.000
e alguns alunos que estudam decorando viram alunos que estudam entendendo.

00:22:48.000 --> 00:22:51.000
Também tem um problema muito grave nos cursos de hoje...

00:22:51.000 --> 00:22:55.000
o pessoal que tá dando cursos nos primeiros períodos já deve ter visto isso,

00:22:55.000 --> 00:22:59.000
e o resto do pessoal nem acredita que seja tão grave assim.

00:22:59.000 --> 00:23:04.000
São alunos que eu chamo de "assombrações", e que TALVEZ sejam viciados em ChatGPT.

00:23:04.000 --> 00:23:10.000
É... o pessoal que usa ChatGPT e outras LLMs bem _não faz idéia_ de como é possível usar essas coisas mal.

00:23:10.000 --> 00:23:17.000
E aí em alguns cursos... algumas turmas tão infestadas de pessoas que usam tão mal que a gente não consegue que eles

00:23:17.000 --> 00:23:22.000
respondam nada. Eles ficam olhando pra gente com uma cara totalmente apática, a gente não consegue descobrir o que eles

00:23:22.000 --> 00:23:27.000
pensam... a gente não consegue nem descobrir se eles pensam ou não.

00:23:27.000 --> 00:23:31.000
E eu chamo esses alunos de "assombrações", e isso virou um problema prático.

00:23:31.000 --> 00:23:34.000
- [Alex] Acho que travou de novo, né?

00:23:34.000 --> 00:24:04.000
- [Eduardo] É, travou, né? Tou mexendo o mouse... tá, vamos lá.

00:24:04.000 --> 00:24:10.000
É... pera aí, deixa eu estimar o tempo. Eu tenho até que horas?

00:24:10.000 --> 00:24:20.000
- [Alex] É... começamos às 11:35, né? É, por aí, 11:30, 11:35.

00:24:20.000 --> 00:24:26.000
- [Eduardo] Tá legal. Beleza.

00:24:26.000 --> 00:24:31.000
É... também dá para inventar... agora vocês estão vendo o mouse mexer, né?

00:24:31.000 --> 00:24:32.000
- [Alex] Sim.

00:24:32.000 --> 00:24:37.000
- [Eduardo] Tá. Também dá para inventar termos mais curtos para isso. Esses alunos são alunos bons,

00:24:37.000 --> 00:24:42.000
esses alunos são alunos médios, e esses são os alunos ruins - ou alunos péssimos.

00:24:42.000 --> 00:24:46.000
Então, os alunos médios às vezes melhoram...

00:24:46.000 --> 00:24:51.000
e a questão é: que que eu posso fazer pra que mais alunos ruins que sabem que estudam decorando,

00:24:51.000 --> 00:24:56.000
mas querem aprender outro jeito de estudar, como é que como é que a gente pode ensinar pra eles

00:24:56.000 --> 00:24:59.000
os outros jeitos de estudar?

00:24:59.000 --> 00:25:02.000
É... aí aqui tem um slide sobre sobre como eu começava a pensar em termos de tipos de alunos,

00:25:02.000 --> 00:25:09.000
mas pra gente basta essa essa noção mais simples agora com três tipos de alunos.

00:25:09.000 --> 00:25:13.000
Isso aqui é uma foto de uma turma, é... que eu consegui que não tivesse assombração nenhuma.

00:25:13.000 --> 00:25:17.000
As assombrações começaram a faltar muito e desapareceram.

00:25:17.000 --> 00:25:21.000
É uma turma em que os alunos sempre passavam boa parte da aula discutindo os problemas no quadro...

00:25:21.000 --> 00:25:27.000
Eu dava os problemas e eles conseguiam descobrir muita coisa sozinhos, e eu ia dando as dicas que precisavam.

00:25:27.000 --> 00:25:33.000
É... deixa eu só explicar de onde é que vem essa... esse termo, "assombrações".

00:25:33.000 --> 00:25:37.000
Vou explicar bem rapidinho, tá? Vem de um filme de terror, ou suspense,

00:25:37.000 --> 00:25:40.000
que é sobre uma cidadezinha em que estão acontecendo umas coisas sinistras,

00:25:40.000 --> 00:25:45.000
onde os arqueólogos descobriram uma uma igreja cristã do século I, na Inglaterra...

00:25:45.000 --> 00:25:48.000
eu nem sabia que tinha cristãos na... na Inglaterra no século I...

00:25:48.000 --> 00:25:51.000
e nessa igreja tem um Cristo que fica de costas pro público

00:25:51.000 --> 00:25:57.000
e de frente pra um painel que tem 12 figuras que ficam olhando ele passivamente...

00:25:57.000 --> 00:26:04.000
e em cada tragédia que acontece na cidadezinha aparecem umas figuras que ficam assistindo a tragédia passivamente.

00:26:04.000 --> 00:26:11.000
E a gente descobre que as pessoas daqui são exatamente as pessoas daqui...

00:26:11.000 --> 00:26:15.000
que estão amaldiçoados, são imortais e estão amaldiçoados a passar toda a eternidade

00:26:15.000 --> 00:26:21.000
assistindo tragédias passivamente por pura curiosidade mórbida.

00:26:21.000 --> 00:26:25.000
Então é daí que vem o termo assombração, tá?

00:26:25.000 --> 00:26:28.000
E foi um pesadelo dar aula pra uma turma que tinha 80% de assombrações,

00:26:28.000 --> 00:26:32.000
então isso virou um problema muito urgente para mim.

00:26:32.000 --> 00:26:37.000
Aqui tem um slide sobre como lidar com assombrações que eu vou pular por enquanto...

00:26:37.000 --> 00:26:40.000
Aqui tem uma coisa que eu tentei fazer e descobri que não funcionava,

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era tentar mostrar pras pessoas que elas tinham que aprender como treinar, tinham que falar com

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amigos músicos para descobrir que que era "treinar"... e não adianta, as assombrações simplesmente não reagem.

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Isso aqui eu quero só mostrar rapidinho, tá?

00:26:53.000 --> 00:26:58.000
Depois eu vou explicar que que são zumbis, mas as coisas lá no PURO estão tão ruins

00:26:58.000 --> 00:27:03.000
que eu até imprimi isso... um monte de cópias disso aqui, e saí distribuindo.

00:27:03.000 --> 00:27:08.000
Eu chegava pros alunos e pra outras pessoas e perguntava: "Oi, você quer saber de uma fofoca?"

00:27:08.000 --> 00:27:14.000
E aí as pessoas ficavam curiosíssimas e liam essa folha... eu mostrava para elas, elas liam, adoravam,

00:27:14.000 --> 00:27:17.000
e aí seguiam o link do QR code.

00:27:17.000 --> 00:27:21.000
E aí olha essa apresentação daqui. Antigamente todo mundo tinha medo dos cursos com muita Matemática,

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como Engenharia de Produção, Ciência da Computação, e tal... que são dois dos cursos que a gente tem.

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E as pessoas só entravam nesses cursos quando elas tinham uma noção de que elas eram boa boas em Matemática.

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E isso queria dizer que na escola elas tinham aprendido a descobrir coisas elas mesmas.

00:27:36.000 --> 00:27:40.000
Elas já sabiam que Matemática não era só decorar.

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Aí a educação piorou muito. E, pra resumir muito, muita gente nunca viu essa diferença entre entender e decorar...

00:27:49.000 --> 00:27:54.000
nunca tiveram contato com outros modos de pensar - só acham que dá para decorar fórmulas...

00:27:54.000 --> 00:28:00.000
E a gente não sabia direito como lidar com isso e a gente precisa de toda ajuda que puder...

00:28:00.000 --> 00:28:06.000
E os meus coleguinhas não contam NADA sobre como estão dando os cursos deles...

00:28:06.000 --> 00:28:11.000
e eu descobri que a Patrícia do HortiFruti... que eu sou amigo dela, que eu vou sempre no hortifruti dela

00:28:11.000 --> 00:28:15.000
com a minha cachorra e a gente acaba conversando a beça, ela se formou em Educação,

00:28:15.000 --> 00:28:20.000
trabalhou uns anos como professora de Alfabetização e ela tinha um montão de dicas interessantes para me dar.

00:28:20.000 --> 00:28:23.000
Então a ideia é: "Precisamos de mais Patrícias e menos Anas Isabéis".

00:28:23.000 --> 00:28:27.000
A gente precisa conversar com mais pessoas que queiram trocar idéias

00:28:27.000 --> 00:28:31.000
e a gente tá cercado de gente que não quer trocar ideia nenhuma, né?

00:28:31.000 --> 00:28:34.000
Então depois vocês vão ler isso aqui.

00:28:34.000 --> 00:28:38.000
Deixa eu dar mais uma noção pra vocês de como Cálculo 2 é horrível.

00:28:38.000 --> 00:28:41.000
- [Alex] É... o seu mouse não tá mexendo mais.

00:28:41.000 --> 00:28:43.000
- [Eduardo] Ih, vamos tentar de novo.

00:28:43.000 --> 00:28:45.000
- [Alex] No slide 23.

00:28:45.000 --> 00:28:55.000
- [Eduardo] Tá bom.

00:28:55.000 --> 00:29:00.000
Pelo menos eu já tô um pouquinho mais rápido em clicar nos botões certos.

00:29:00.000 --> 00:29:06.000
- [Alex] Essa dinâmica tá providenciando uma interação com o público, né?

00:29:06.000 --> 00:29:09.000
- [Eduardo] É, outras pessoas também podem falar, tá?

00:29:09.000 --> 00:29:13.000
Eu ia começar a apresentação me desculpando por meus slides estem bagunçados,

00:29:13.000 --> 00:29:18.000
mas até que não estão tão ruins não. A parte bagunçada vai vir depois, e talvez o tempo até acabe antes.

00:29:18.000 --> 00:29:21.000
Vamos voltar. Então, deixa eu começar por isso aqui.

00:29:21.000 --> 00:29:28.000
Essa figurinha daqui, tá? Isso aqui é um moto perpétuo. Isso eu vi na televisão quando era criança e eu fiquei bolado com isso.

00:29:28.000 --> 00:29:34.000
É... o Jô Soares tinha um programa humorístico na televisão e numa hora tinha um gênio que apresentava o modo perpétuo...

00:29:34.000 --> 00:29:40.000
e o modo perpétuo é assim, você faz uma figura assim e você faz o nove ser mais [pesado que o] seis.

00:29:40.000 --> 00:29:45.000
Então quando você tá nessa posição daqui, o seis é levinho, o nove é pesado, o nove puxa para baixo, seis puxa para cima,

00:29:45.000 --> 00:29:50.000
e isso roda. Aí ele roda um pouquinho e as figuras mudam de lugar.

00:29:50.000 --> 00:29:53.000
Um outro nove entra aqui, o outro seis vem aqui,

00:29:53.000 --> 00:29:59.000
esse nove acaba virando um seis, esse seis acaba virando um nove, e isso vai rodando para sempre.

00:29:59.000 --> 00:30:04.000
Eu levei um tempo para entender que o truque aí era que o problema foi empurrado para outro lugar.

00:30:04.000 --> 00:30:13.000
A dificuldade aí é construir essa figura... essa coisa de um jeito que o nove fique sempre mais pesado que o seis.

00:30:13.000 --> 00:30:18.000
E Cálculo 2 tem umas coisas bizarras, são umas fórmulas que você tem que entender e a explicação delas parece uma

00:30:18.000 --> 00:30:23.000
explicação tipo isso, em que o problema tá simplesmente sendo empurrado pra um outro lugar.

00:30:23.000 --> 00:30:29.000
Isso aqui é uma fórmula super importante de Cálculo 2... deixa eu dar um zoom nela...

00:30:29.000 --> 00:30:36.000
Essa fórmula de cima a gente usa ela a beça, e eu levei décadas para começar a ter alguma intuição do que que ela queria dizer.

00:30:36.000 --> 00:30:39.000
Eu só comecei a ter intuição quando eu vi como encontrar...

00:30:39.000 --> 00:30:45.000
Primeiro, eu vi essa essa demonstração daqui, que fica escondida num cantinho dos livros...

00:30:45.000 --> 00:30:51.000
eu vi como... comparar isso com um caso particular...

00:30:51.000 --> 00:30:55.000
E em determinados casos particulares a gente consegue visualizar direitinho o que que tá acontecendo aqui.

00:30:55.000 --> 00:31:02.000
E aí a gente consegue ver como é que o gráfico tá sendo distorcido de uma determinada forma...

00:31:02.000 --> 00:31:08.000
Você tá amassando o gráfico de um jeito e esticando ele pra cima... e aí a área se preserva.

00:31:08.000 --> 00:31:13.000
- [Alex] O seu mouse não tá mexendo de novo.

00:31:13.000 --> 00:31:31.000
- [Eduardo] Vou fazer o truque de novo.

00:31:31.000 --> 00:31:33.000
Voltou?

00:31:33.000 --> 00:31:34.000
- [Alex] Voltou.

00:31:34.000 --> 00:31:37.000
- [Eduardo] Ai, que bom.

00:31:37.000 --> 00:31:40.000
Então, essa é uma fórmula em vários níveis de abstração.

00:31:40.000 --> 00:31:44.000
Quando a gente consegue entender o que que uma integral quer dizer, como uma figura, uma área,

00:31:44.000 --> 00:31:50.000
cada pedacinho dessa... dessas últimas quatro igualdades daqui faz sentido.

00:31:50.000 --> 00:31:54.000
Agora, a gente costuma usar isso numa versão um pouco abreviada,

00:31:54.000 --> 00:31:57.000
que não tem esses `a's e `b's aqui, a gente chama de "limites de integração".

00:31:57.000 --> 00:32:02.000
Isso aqui já é muito abstrato. Eu até hoje não tenho uma uma intuição visual do que que sejam

00:32:02.000 --> 00:32:05.000
essas integrais indefinidas sem o limite de integração...

00:32:05.000 --> 00:32:08.000
acho isso horrível de visualizar.

00:32:08.000 --> 00:32:15.000
E o modo como a gente lembra essas coisas é por essas expressões aqui, com umas anotações.

00:32:15.000 --> 00:32:21.000
Então, é... _parece_ que pra físicos e engenheiros essa explicação daqui é totalmente óbvia...

00:32:21.000 --> 00:32:27.000
Essa coisa daqui... a gente vai inventar uma variável nova chamada `u', que é isso...

00:32:27.000 --> 00:32:31.000
Ah, então é _óbvio_ que du/dx é essa coisa daqui...

00:32:31.000 --> 00:32:36.000
aí você multiplica du/dx por dx, cancela o dx com dx, sobra du. Pronto, ó, resolveu!

00:32:36.000 --> 00:32:39.000
Essa integral daqui virou essa daqui.

00:32:39.000 --> 00:32:42.000
Só que para metade das pessoas isso faz sentido total e é óbvio...

00:32:42.000 --> 00:32:48.000
e pra outra metade não faz sentido nenhum. E eu tava na turma que... pra quem isso não fazia sentido nenhum.

00:32:48.000 --> 00:32:53.000
Então Cálculo 2 é um curso bizarro porque ele é cheio dessas coisas com o nível...

00:32:53.000 --> 00:33:01.000
em que o nível de de abstração fica oscilando loucamente... e os alunos eram péssimos.

00:33:01.000 --> 00:33:04.000
Eu comecei a tentar descobrir as dificuldades dos alunos...

00:33:04.000 --> 00:33:07.000
e eu comecei a dar uns testes de nivelamento para descobrir.

00:33:07.000 --> 00:33:12.000
E eu descobri umas coisas muito interessantes.

00:33:12.000 --> 00:33:19.000
Os testes de nivelamento... eu repeti esses três testes várias vezes... eu vou ampliar alguns deles...

00:33:19.000 --> 00:33:26.000
o primeiro teste que nos interessa... aliás, a primeira coisa que eu quero contar para vocês, é o seguinte...

00:33:26.000 --> 00:33:32.000
em teoria em Cálculo 1 você deve aprender uma coisa chamada "modelagem", em que você pega problemas

00:33:32.000 --> 00:33:37.000
em que o problema é todo dado em português e você transforma isso em algo matemático e resolve.

00:33:37.000 --> 00:33:42.000
E aí eu tinha bons motivos para achar que isso estava muito acima do nível dos alunos.

00:33:42.000 --> 00:33:46.000
Então isso nem chegou a virar um teste de nivelamento formal,

00:33:46.000 --> 00:33:49.000
e eu comecei a checar coisas mais básicas.

00:33:49.000 --> 00:33:55.000
Isso aqui é uma coisa que os alunos deveriam ser capazes de fazer e não sabiam fazer.

00:33:55.000 --> 00:33:59.000
Em teoria, quando os alunos aprendiam a derivada em Cálculo 1,

00:33:59.000 --> 00:34:04.000
eles aprendiam que a definição da derivada por limite é essa daqui... essa igualdade.

00:34:04.000 --> 00:34:11.000
Eles deveriam ser capazes de transformar essa igualdade daqui nessa, substituindo `a' por `1' em todo lugar...

00:34:11.000 --> 00:34:17.000
repara que o `a' virou `1' aqui, aqui e aqui... e fazendo uma outra coisa mais complicada que é

00:34:17.000 --> 00:34:24.000
substituir f(x) por x^10. Eles não sabiam fazer isso. Isso era totalmente misterioso para eles.

00:34:24.000 --> 00:34:30.000
Uma outra coisa ainda mais básica, que tinha a ver com outro teste de nivelamento que eu dei, era o seguinte.

00:34:30.000 --> 00:34:34.000
É... o Teste de Nivelamento 2 era... eu perguntava essa derivada daqui,

00:34:34.000 --> 00:34:40.000
que era a derivada de f de uma determinada coisa... e os alunos não faziam ideia do que que era esse f.

00:34:40.000 --> 00:34:44.000
Eles pronunciavam isso em português e eles pensavam que isso aqui queria dizer...

00:34:44.000 --> 00:34:49.000
"ah, isso aqui é derivada DA FUNÇÃO sen(x^4) + ln x".

00:34:49.000 --> 00:34:52.000
Então eles ignoravam o f e faziam o cálculo do resto.

00:34:52.000 --> 00:34:56.000
Com isso eu consegui descobrir que eles não sabiam certas coisas muito importantes.

00:34:56.000 --> 00:35:03.000
Eles sabiam que a fórmula da... da Regra da Cadeia é essa, que é uma fórmula importantíssima...

00:35:03.000 --> 00:35:11.000
eles sabiam fazer algumas contas tipo isso, mas eles não faziam... não sabiam só substituir o g por 42x,

00:35:11.000 --> 00:35:14.000
e não sabiam só substituir o f por seno.

00:35:14.000 --> 00:35:17.000
Então eles não sabiam obter esses passos intermediários,

00:35:17.000 --> 00:35:24.000
e eu concluí que eles não tavam sabendo pegar fórmulas que eles conheciam e obter outras fórmulas.

00:35:24.000 --> 00:35:27.000
Onde é que será que tava a base do problema deles?

00:35:27.000 --> 00:35:32.000
Como é que eu conseguiria algum modo de explicar as coisas, é... em que eu não falasse uma coisa complicada demais...

00:35:32.000 --> 00:35:39.000
em que eu conseguisse acompanhar eles passo a passo até eles chegarem num nível de abstração maior?

00:35:39.000 --> 00:35:42.000
Uma das coisas que eu descobri foi que eles nunca tinham pensado em expressões como árvores...

00:35:42.000 --> 00:35:46.000
então isso aqui era totalmente novo para eles.

00:35:46.000 --> 00:35:52.000
Essa, desculpa... essa derivada daqui a gente pode interpretar como essa árvore daqui...

00:35:52.000 --> 00:36:00.000
A gente tá construindo essa expressão daqui, f de alguma coisa, e aplicando operação ddx nela.

00:36:00.000 --> 00:36:04.000
E então preparei um monte de exercício disso...

00:36:04.000 --> 00:36:07.000
e... alguns alunos ficaram maravilhados, outros alunos ficaram empacados,

00:36:07.000 --> 00:36:13.000
então... já tava melhorando, mas, é... eu precisava de mais material ainda...

00:36:13.000 --> 00:36:20.000
aqui é aquele slide que eu mostrei antes, logo no início...

00:36:20.000 --> 00:36:25.000
E eu tentei descobrir como é que eles tinham aprendido a regra da cadeia. Eu ainda não entendi.

00:36:25.000 --> 00:36:29.000
E eles disseram que tinha aprendido pelo livro tal, que tinha várias explicações diferentes...

00:36:29.000 --> 00:36:34.000
e uma das explicações era essa. Você pega a regra da cadeia, aí você aplica ela desse jeito...

00:36:34.000 --> 00:36:39.000
você... se você vai fazer uma conta como essa aqui tá a função de fora, aqui tá a função de dentro...

00:36:39.000 --> 00:36:44.000
O resultado é a derivada da função de fora avaliada na função de dentro, vezes não sei quê.

00:36:44.000 --> 00:36:49.000
Então eles sabiam fazer essa conta, mas eles não conseguiam escrever num cantinho do papel...

00:36:49.000 --> 00:36:52.000
o que que eram essas coisas... eles tinham que guardar isso na memória...

00:36:52.000 --> 00:36:56.000
eles não sabiam contar para ninguém que que era a função de fora e a função de dentro...

00:36:56.000 --> 00:36:59.000
eles sabiam fazer isso, mas não sabiam explicar...

00:36:59.000 --> 00:37:07.000
então eles... aprendiam um método que só funcionava se eles tivessem com um buffer mental, um espaço mental suficiente

00:37:07.000 --> 00:37:12.000
para eles guardarem essas coisas na memória, e falhava em vários casos mais complicados.

00:37:12.000 --> 00:37:17.000
Aqui tem uns casos mais complicados, e o caso... um dos casos que me interessava esse aqui,

00:37:17.000 --> 00:37:22.000
derivada de f(x^4), em que eles pensavam: "ah, isso aqui é derivada DA FUNÇÃO x^4,

00:37:22.000 --> 00:37:32.000
portanto é a derivada de x^4, portanto é 4*x^3". Então o f desaparecia.

00:37:32.000 --> 00:37:35.000
É... como é que será que eles tinham aprendido a regra da cadeia?

00:37:35.000 --> 00:37:38.000
Eles sabiam que a fórmula era essa e eles sabiam, em algum sentido,

00:37:38.000 --> 00:37:43.000
que isso valia para qualquer f e qualquer g...

00:37:43.000 --> 00:37:49.000
Que que queria dizer isso para eles? Será que eles pensavam que isso aqui tava quantificado de alguma forma?

00:37:49.000 --> 00:37:52.000
- [Alex] Ô Eduardo, será que o seu mouse tá travado de novo?

00:37:52.000 --> 00:38:01.000
- [Eduardo] Não, acho que é que meu computador é muito antigo. Deixa eu fazer o truque de novo.

00:38:01.000 --> 00:38:07.000
É... vamos lá.

00:38:07.000 --> 00:38:19.000
É bom que tudo que der errado eu posso botar a culpa no computador.

00:38:19.000 --> 00:38:21.000
Oi. Voltou?

00:38:21.000 --> 00:38:23.000
- [Alex] Sim. Voltou.

00:38:23.000 --> 00:38:26.000
- [Eduardo] Oba! Oba! Tá... então, será que a regra da cadeia para eles era isso?

00:38:26.000 --> 00:38:32.000
Quando eles viam isso, eles pensavam: "ah, pra qualquer função com... é, de classe C^1 f,

00:38:32.000 --> 00:38:36.000
e qualquer função de classe C^1 g, a gente tem essa... isso aqui vale..."

00:38:36.000 --> 00:38:40.000
ou será que eles pensavam "pra qualquer função com infinitas derivadas isso aqui vale"?

00:38:40.000 --> 00:38:47.000
Ou será que eles pensavam de um jeito mais com cara de analista, no sentido de Análise Matemática,

00:38:47.000 --> 00:38:53.000
seja f uma função que vai do intervalo J para o para o conjunto dos reais, de classe C^1,

00:38:53.000 --> 00:38:57.000
e g é uma função do conjunto... do intervalo I no intervalo J, e não sei quê...".

00:38:57.000 --> 00:39:03.000
Então... eu não consegui descobrir, eu tinha que deduzir isso a partir de informações mínimas,

00:39:03.000 --> 00:39:08.000
mas o que eu sabia era que variáveis livres são um conceito bem complicado para mim

00:39:08.000 --> 00:39:12.000
e eu normalmente me livro delas usando quantificadores...

00:39:12.000 --> 00:39:16.000
Então para mim isso aqui é bem complicado porque f e g fazem papel de variáveis livres,

00:39:16.000 --> 00:39:21.000
mas é pior ainda, não são nem números, são funções...

00:39:21.000 --> 00:39:24.000
Então o que que será que esses alunos viram em Cálculo 1?

00:39:24.000 --> 00:39:27.000
Será que eles viram teoremas e demonstrações? Talvez sim...

00:39:27.000 --> 00:39:33.000
e aqui eu peguei... eu catei uma, um comentário de um colega meu, na verdade meu grande inimigo,

00:39:33.000 --> 00:39:40.000
de um grupo de WhatsApp, em que tavam discutindo se iam deixar um professor da Engenharia dar Cálculo 1 ou não...

00:39:40.000 --> 00:39:45.000
e aí esse meu inimigo, Reginaldo, tava dizendo: "Ó, o Edwin, por exemplo, já deu Cálculo 1...

00:39:45.000 --> 00:39:48.000
duvido que ele tenha dado uma única ideia de demonstração no curso todo.

00:39:48.000 --> 00:39:52.000
Não deve nem ter provado que se a função tem derivada a zero, ela tem que ser constante,

00:39:52.000 --> 00:39:55.000
que dirá o Teorema do Valor Médio..."

00:39:55.000 --> 00:39:58.000
Então em algum sentido esses alunos tavam vendo demonstrações em Cálculo 1,

00:39:58.000 --> 00:40:01.000
só que eu não tavam entendendo nada.

00:40:01.000 --> 00:40:04.000
E aí pra mim a grande pergunta é: como é que a gente entende um teorema de Cálculo 1

00:40:04.000 --> 00:40:08.000
se a gente não entende o que que é um caso particular?

00:40:08.000 --> 00:40:11.000
É... aqui é um slide só com duas citações, que eu não vou usar...

00:40:11.000 --> 00:40:15.000
sobre essa ideia do que que é uma função qualquer... então vamos pular porque tem pouco tempo...

00:40:15.000 --> 00:40:22.000
Aqui tem um outro slide sobre tipos de memória, que fala um pouquinho sobre working memory, e não sei quê...

00:40:22.000 --> 00:40:27.000
E isso aqui é importante. É... se vocês quiserem olhar a literatura sobre isso

00:40:27.000 --> 00:40:34.000
um dos livros mais legais é o livro do Van Hiele, e... e a ideia de níveis de Van Hiele sobre níveis de abstração.

00:40:34.000 --> 00:40:40.000
E como é que a gente... se a gente tá num determinado nível de demonstração... não, de ABSTRAÇÃO...

00:40:40.000 --> 00:40:44.000
a gente consegue fazer as coisas o nível seguinte com uma certa dificuldade

00:40:44.000 --> 00:40:48.000
e as coisas de dois níveis acima são praticamente impossíveis pra gente.

00:40:48.000 --> 00:40:52.000
Então, o Van Hiele discute como é que a gente aprende isso,

00:40:52.000 --> 00:40:58.000
como é que a gente passa pro nível seguinte, como é que a gente prepara material pros alunos

00:40:58.000 --> 00:41:02.000
subirem pro nível seguinte, como é que a gente prepara perguntas, e coisas assim...

00:41:02.000 --> 00:41:08.000
E na verdade isso é de uma... de um artigo do David Tall e do não-sei-quê Long,

00:41:08.000 --> 00:41:12.000
que fala sobre níveis de Van Hiele e ele fala sobre que os livros de matemática

00:41:12.000 --> 00:41:15.000
fazem uma coisa chamada "level reduction"...

00:41:15.000 --> 00:41:19.000
Então isso aqui é uma "level reduction".

00:41:19.000 --> 00:41:24.000
Os alunos entendiam determinado método, sem entender nada do que tava por trás,

00:41:24.000 --> 00:41:29.000
decoravam esse método, e esqueciam o espírito por trás do método.

00:41:29.000 --> 00:41:36.000
Também vou pular os detalhes disso aqui, porque tem muitos slides. É...

00:41:36.000 --> 00:41:39.000
- [Alex] ô, eu acho que o mouse tá parado de novo.

00:41:39.000 --> 00:41:49.000
- [Eduardo] Vamos lá. Peraí, vou fazer o negocinho de novo. É... culpa do computador, hein?

00:41:49.000 --> 00:41:53.000
- [Alex] Mas você já é craque nesse negócio de... de colocar...

00:41:53.000 --> 00:41:58.000
- [Eduardo] Agora vai levar só 5 segundos.

00:41:58.000 --> 00:42:01.000
É... pera aí. Voltou? Tá vendo meu mouse mexer?

00:42:01.000 --> 00:42:03.000
- [Alex] Sim, sim.

00:42:03.000 --> 00:42:10.000
- [Eduardo] Tá. Então, é... lá no início eu tava falando sobre entender versus decorar.

00:42:10.000 --> 00:42:15.000
Não basta a gente dar um esporro num aluno e dizer "você tem que entender os conceitos!".

00:42:15.000 --> 00:42:22.000
É... na verdade, "entender" Matemática é uma coisa que pode ser decomposta em várias subtécnicas diferentes...

00:42:22.000 --> 00:42:28.000
o pessoal de Educação Matemática discute isso e eles têm várias ideias sobre como, é...

00:42:28.000 --> 00:42:33.000
não só como fazer essa decomposição, sobre como dar... como também sobre como dar exemplos disso.

00:42:33.000 --> 00:42:36.000
E eu fiquei empolgado com isso, pensando, nossa,

00:42:36.000 --> 00:42:41.000
eu tou aprendendo como fazer determinadas coisas no Maxima, que é um programa de Computação Algébrica...

00:42:41.000 --> 00:42:44.000
Eu até já sei fazer árvores nele, e não sei quê...

00:42:44.000 --> 00:42:48.000
Eu acho que se eu conseguir fazer esses exemplos de mudança de nível, generalização,

00:42:48.000 --> 00:42:55.000
particularização, reificação e coisas assim, no Maxima e fazer figuras bacanas, isso vira artigos bacanas.

00:42:55.000 --> 00:42:58.000
Então eu comecei a ter a sensação de "tem um mercado pra isso",

00:42:58.000 --> 00:43:02.000
em termos de artigos, interesse, ser chamado para palestras e coisas assim...

00:43:02.000 --> 00:43:07.000
e comecei a me dedicar a essas coisas.

00:43:07.000 --> 00:43:13.000
É... então aqui tem um... essas colunas aqui são de um artigo de 94,

00:43:13.000 --> 00:43:23.000
e... os autores falam que quando o contexto muda, essa expressão daqui pode ser vista de várias formas diferentes...

00:43:23.000 --> 00:43:28.000
Pode ser... no início, ela podia ser vista como "calcule isso aqui pra um determinado valor de x",

00:43:28.000 --> 00:43:32.000
Depois ela podia ser vista como uma função, depois tem vários outros jeitos,

00:43:32.000 --> 00:43:37.000
e um dos outros jeitos é a gente pensar que isso é uma coisa puramente abstrata,

00:43:37.000 --> 00:43:40.000
só um string de símbolos que não representam nada.

00:43:40.000 --> 00:43:42.000
E a gente vai mexer nessa coisa abstratamente,

00:43:42.000 --> 00:43:45.000
seguindo determinadas regras que até fazem sentido,

00:43:45.000 --> 00:43:51.000
mas que a gente também pode trabalhar... tratar como regras abstratas.

00:43:51.000 --> 00:43:56.000
E hoje em dia eu acho melhor a gente pensar nessas coisas como árvores do que pensar só como strings.

00:43:56.000 --> 00:43:58.000
Então, eu tenho os programas para fazer árvores, como eu já falei,

00:43:58.000 --> 00:44:01.000
eu dou exercícios pro... pros alunos entenderem as coisas como árvores

00:44:01.000 --> 00:44:04.000
e aos pouquinhos as coisas começam a fazer sentido para eles.

00:44:04.000 --> 00:44:08.000
Deixa eu pular um monte de slides aqui.

00:44:08.000 --> 00:44:11.000
Isso aqui é uma coisa que eu ainda não testei com os alunos,

00:44:11.000 --> 00:44:17.000
mas que seria um um material novo para explicar essa ideia de árvores...

00:44:17.000 --> 00:44:20.000
É... no Maxima a gente dá um comando e bate Enter, e ele dá um resultado.

00:44:20.000 --> 00:44:24.000
Ele usa uma interface um pouco mais feia que isso mas isso é a versão mais bonita.

00:44:24.000 --> 00:44:32.000
Então, se eu pedir pro Maxima rodar isso aqui, ele vai pegar esse objeto daqui e vai transformar não só nessa árvore, como...

00:44:32.000 --> 00:44:37.000
ele vai me mostrar duas representações. Uma é a representação bonita do Maxima pra isso aqui, que é essa matriz,

00:44:37.000 --> 00:44:44.000
e a outra é a representação em árvore, que é o jeito bonito de ver a representação interna dele.

00:44:44.000 --> 00:44:49.000
Então aqui tem uma outra operação que troca `matrix' por `bmatrix'...

00:44:49.000 --> 00:44:56.000
É... o `b' é de... vem do LaTeX, quer dizer use square `b'rackets...

00:44:56.000 --> 00:45:00.000
a matriz vira isso aqui... a gente pode usar matrizes pra para coisas que não são matrizes matemáticas,

00:45:00.000 --> 00:45:06.000
mas que tem strings em alguns lugares... a gente pode usar matrizes para coisas que são desenhos...

00:45:06.000 --> 00:45:10.000
Então, isso aqui faz todo sentido para um humano...

00:45:10.000 --> 00:45:15.000
a gente vai interpretar isso como uma série de igualdades, mas o Maxima interpreta como uma matriz.

00:45:15.000 --> 00:45:20.000
A gente pode definir substituições desse jeito.

00:45:20.000 --> 00:45:24.000
É... e aí eu defino uma operação que é a operação de substituição.

00:45:24.000 --> 00:45:27.000
Nesse passo aqui eu defino uma igualdade e eu defino uma operação nova,

00:45:27.000 --> 00:45:33.000
que na verdade tá definida em algum outro lugar, que é uma operação que não tem simplificação.

00:45:33.000 --> 00:45:37.000
É... o Maxima tem determinadas regras para simplificar algumas coisas.

00:45:37.000 --> 00:45:42.000
Por exemplo, se você pergunta para ele o resultado de 2+3, ele simplifica isso e vira 5.

00:45:42.000 --> 00:45:48.000
Mas a gente também pode definir operações novas que compartilham um monte de propriedades da operação `+'

00:45:48.000 --> 00:45:53.000
e não tem as regras de simplificação. E eu vi que quando eu fazia isso, muita coisa ficava mais simples.

00:45:53.000 --> 00:45:58.000
Então o `+.' ele parece com o `+', mas ele não tem nenhuma regra de simplificar.

00:45:58.000 --> 00:46:04.000
Então o Maxima não sabe transformar `a+.b' em `b+.a', e ele transforma isso nisso aqui,

00:46:04.000 --> 00:46:07.000
que acho que imagino que todo mundo consegue visualizar que árvore é essa.

00:46:07.000 --> 00:46:16.000
Aí eu posso pegar essa árvore daqui e dizer: pegue a substituição S1, que é essa, e substitua isso aqui aqui.

00:46:16.000 --> 00:46:20.000
E essa substituição quer dizer "a vira 2 e b vira 3".

00:46:20.000 --> 00:46:23.000
Então com isso a gente consegue ver que essa igualdade vira essa igualdade.

00:46:23.000 --> 00:46:27.000
E isso é uma operação que os alunos precisavam aprender.

00:46:27.000 --> 00:46:30.000
Então aqui eu tenho algumas variações para essa operação `_s_'.

00:46:30.000 --> 00:46:37.000
Aqui é uma operação que me mostra isso num formato bonito e o S1 num formato bonito também...

00:46:37.000 --> 00:46:42.000
E aqui temos outras coisas assim, e o resto não interessa.

00:46:42.000 --> 00:46:50.000
E aí dá para fazer coisas muito bacanas com isso, dá para definir operações que usam underbraces e coisas assim...

00:46:50.000 --> 00:46:59.000
e aí eu consigo que o Maxima faça um monte de contas complicadas para mim.

00:46:59.000 --> 00:47:02.000
e que eles não precisavam aprender porque não tá no livro do Stewart...

00:47:02.000 --> 00:47:07.000
Eles só precisavam aprender o que tá no livro do Stewart. E aí eles aprendiam tudo errado.

00:47:07.000 --> 00:47:10.000
É o que eu contei lá no início. Eles tentavam aprender equações diferenciais,

00:47:10.000 --> 00:47:13.000
mas eles não faz a menor ideia da lógica por trás daquilo.

00:47:13.000 --> 00:47:17.000
Então eles tentavam decorar o método, usavam o método errado e se ferravam.

00:47:17.000 --> 00:47:21.000
E eu me ferrava também, porque eu tinha um critério de correção ruim que só descontava um ponto deles.

00:47:21.000 --> 00:47:27.000
Então não era prioridade para eles aprenderem a lógica por trás das coisas.

00:47:27.000 --> 00:47:35.000
E é nisso que eu tô trabalhando. Pera aí. Vamos voltar...

00:47:35.000 --> 00:47:37.000
- [Alex] Será que tá...

00:47:37.000 --> 00:47:39.000
- [Eduardo] Congelou de novo?

00:47:39.000 --> 00:47:56.000
Acho que vou fazer... vai de novo. É...

00:47:56.000 --> 00:48:00.000
então tem mais tipo 15 minutos, né?

00:48:00.000 --> 00:48:05.000
- [Alex] Eu acho que tem um pouco... assim, é, a idéia é 40 minutos com mais 20 de perguntas.

00:48:05.000 --> 00:48:10.000
- [Eduardo] Ah, tá. Então, 10 minutos no máximo.

00:48:10.000 --> 00:48:13.000
- [Alex] É. Bom... depois a gente terá menos tempo para pergunta, né?

00:48:13.000 --> 00:48:18.000
- [Eduardo] Tá legal. Tá. Então, vou vou tentar ser rápido.

00:48:18.000 --> 00:48:23.000
Então... é, vou contar super rápido... há um tempo atrás eu achei que um bom jeito de explicar pros alunos

00:48:23.000 --> 00:48:29.000
que que é uma conta feita passo a passo, é... era dizer para eles: "é uma conta que um computador entende".

00:48:29.000 --> 00:48:38.000
E o que todo mundo diz hoje em dia é você tem que aprender assistente de provas, e todo mundo tá usando Lean, então aprenda Lean.

00:48:38.000 --> 00:48:43.000
Só que eu quebrei a cara, eu achei Lean super difícil... por motivos que que agora não interessam,

00:48:43.000 --> 00:48:48.000
mas minha apresentação no último EBL foi sobre isso.

00:48:48.000 --> 00:48:52.000
E eu vi que era mais interessante usar o Maxima, que aparentemente é um programa muito antigo,

00:48:52.000 --> 00:48:59.000
mas ele é interativo, e não sei quê... o pessoal da mailing list era fantástico, eu aprendi a estender ele num instante,

00:48:59.000 --> 00:49:06.000
coisas assim. E aí eu precisava definir a substituição de um modo que fosse natural em algum sentido. E aí o que eu

00:49:06.000 --> 00:49:13.000
fiz foi que eu peguei uma operação que já vem com o Maxima, que é a substituição em paralelo, `psubst', e só, é...

00:49:13.000 --> 00:49:21.000
inventei uma sintaxe nova para ela, que é esse `_s_' aqui... e ainda acrescentei um detalhezinho pra gente poder colocar...

00:49:21.000 --> 00:49:26.000
quer dizer, dois detalhezinhos, um detalhezinho pra... pra substituição ficar bonita, que é esse negócio com

00:49:26.000 --> 00:49:35.000
square brackets aqui. e um truque pra gente poder... dizer substitua toda ocorrência de f(x) pela coisa tal.

00:49:35.000 --> 00:49:41.000
Então a gente... pra gente poder substituir funções, e aí com isso eu consegui empurrar os detalhes complicados para dentro do Maxima.

00:49:41.000 --> 00:49:44.000
É... então esse é um caso em que tem detalhes complicados...

00:49:44.000 --> 00:49:51.000
Isso aqui é uma conta que, é... só pessoas com muita prática em Matemática conseguem olhar pra...

00:49:51.000 --> 00:49:55.000
pra isso aqui e dizer: "ah, o resultado DEVE SER esse"...

00:49:55.000 --> 00:50:00.000
elas deduzem qual deve ser a definição certa disso...

00:50:00.000 --> 00:50:04.000
mas na verdade essa definição certa é uma definição recursiva complicada...

00:50:04.000 --> 00:50:08.000
Pra gente entender como isso funciona a gente tem que fazer várias traduções,

00:50:08.000 --> 00:50:18.000
entender que na verdade essa aplicação daqui é isso, é... isso aqui vira essa aplicação... ai, droga...

00:50:18.000 --> 00:50:21.000
vira essa aplicação com lambdas, ele faz isso aqui.

00:50:21.000 --> 00:50:25.000
E aí, isso aqui é na verdade β-redução, que entre aspas, "todo mundo conhece".

00:50:25.000 --> 00:50:31.000
Tá? Então, eu encontrei uma determinada noção de simplicidade, que é:

00:50:31.000 --> 00:50:36.000
vamos usar _quase que_ a noção de substituição do Maxima.

00:50:36.000 --> 00:50:40.000
Bom, é... como eu falei, os alunos estão chegando péssimos.

00:50:40.000 --> 00:50:44.000
Eles acham que "estudar" quer dizer "decorar"...

00:50:44.000 --> 00:50:48.000
É... eles não conseguem fazer perguntas, eles ficam paralisados, e eles pensam:

00:50:48.000 --> 00:50:52.000
"Ai, meu Deus, eu não tô entendendo nada. Eu vou estudar em casa depois pelo livro"... E eles estudam tudo errado.

00:50:52.000 --> 00:50:55.000
Tem um slide que eu queria botar aqui,

00:50:55.000 --> 00:51:01.000
alguns slides que eram para mostrar o tipo de erro que eles fazem em que, por exemplo,

00:51:01.000 --> 00:51:05.000
eles têm que justificar uma uma determinada conta...

00:51:05.000 --> 00:51:08.000
Ó, o mouse ainda tá mexendo ou já congelou de novo? 

00:51:08.000 --> 00:51:10.000
- [Alex] Não, não, tá mexendo.

00:51:10.000 --> 00:51:12.000
- [Nick Olle] Tá mexendo.

00:51:12.000 --> 00:51:16.000
- [Eduardo] Ai, que bom, bom sinal. E aí a sensação que dava era que eles tinham gasto muita energia

00:51:16.000 --> 00:51:22.000
tentando copiar o estilo de fazer justificativas do livro, mas eles não faziam a menor idéia do que tava acontecendo.

00:51:22.000 --> 00:51:26.000
E quando eu conversei sobre... com a Patrícia do HortiFruti sobre alfabetização, eu disse:

00:51:26.000 --> 00:51:31.000
"Patrícia, pelo amor de Deus, eu imagino que o pessoal que trabalha com alfabetização deva ter uma noção de

00:51:31.000 --> 00:51:35.000
níveis de aprendizado e coisa assim"... e ela me deu dicas fantásticas.

00:51:35.000 --> 00:51:38.000
Ela disse: "Procura os livros da Emília Ferreiro".

00:51:38.000 --> 00:51:45.000
E aí tem uma coisa que eu não pus nos slides aqui, que são umas coisas sobre níveis de alfabetização, em que tem um ditado,

00:51:45.000 --> 00:51:55.000
e aí, a professora pediu "agora escrevam ÁRVORE", e a criança escreve tipo "V R O E A", uma coisa assim...

00:51:55.000 --> 00:52:01.000
E o que tava acontecendo é que os alunos chegavam na vista de prova com com uma questão que não fazia sentido nenhum

00:52:01.000 --> 00:52:05.000
e e eles ficavam dizendo: "Mas tá igual ao livro! TÁ IGUAL!!! TÁ IGUAL!!!".

00:52:05.000 --> 00:52:09.000
Eles tinham certeza absoluta de que tava igual. Era exatamente a mesma coisa que a criança

00:52:09.000 --> 00:52:14.000
num primeiro nível, que não faz a menor ideia do que que ela não tá vendo.

00:52:14.000 --> 00:52:19.000
Então, tem muita coisa aí que eu preciso fazer. Eu preciso, é...

00:52:19.000 --> 00:52:22.000
encontrar um modo de ensinar esses alunos a perguntarem...

00:52:22.000 --> 00:52:26.000
eles precisam ter uma noção do que que é uma pergunta boa...

00:52:26.000 --> 00:52:34.000
Tem um slide aqui sobre alguns exemplos de perguntas ruins, mas, é... por enquanto o melhor que eu tenho sobre

00:52:34.000 --> 00:52:39.000
perguntas boas é essa historinha daqui, ó, que eu vou contar para vocês, porque acho que vale a pena.

00:52:39.000 --> 00:52:42.000
O Alex, Bob e outros três amigos começam a estagiar na mesma empresa...

00:52:42.000 --> 00:52:45.000
eles tem que pôr dados no sistema da empresa, que é super mal feito...

00:52:45.000 --> 00:52:51.000
aí o Bob começa a fazer perguntas pro programador da empresa por e-mail, com cópia para todo mundo.

00:52:51.000 --> 00:52:58.000
E o programador dá respostas super boas e começa a reescrever a documentação do sistema e ela fica bem melhor.

00:52:58.000 --> 00:53:02.000
E o problema era que o programador antes, ele não sabia para quem ele tava escrevendo,

00:53:02.000 --> 00:53:07.000
e quando a gente escreve algo sem saber pra quem a gente tá escrevendo em geral fica horrível.

00:53:07.000 --> 00:53:10.000
E agora o Fulano consegue imaginar que ele tá escrevendo pro Bob.

00:53:10.000 --> 00:53:13.000
E aí acontecem várias coisas... Agora todo mundo adora o Bob e todo mundo detesta o Alex,

00:53:13.000 --> 00:53:20.000
que é um cara que não fala com ninguém e só pergunta tudo pro ChatGPT, e o Alex acaba sendo demitido.

00:53:20.000 --> 00:53:23.000
Então o objetivo é vocês serem como o Bob, que fazer perguntas boas.

00:53:23.000 --> 00:53:26.000
Agora, quais são as técnicas para fazer perguntas boas?

00:53:26.000 --> 00:53:30.000
É aí são outros slides que não eu não tenho tempo para eles agora.

00:53:30.000 --> 00:53:35.000
É... quantos minutos ainda tenho? Poucos, né?

00:53:35.000 --> 00:53:37.000
- [Alex] É...

00:53:37.000 --> 00:53:42.000
- [Eduardo] Então vou só mais vou ler só esse slide aqui e a gente passa pras perguntas.

00:53:42.000 --> 00:53:47.000
Ai, que bom, aí vocês não vou ver a parte que tá bagunçada demais.

00:53:47.000 --> 00:53:56.000
Então, é... vamos voltar pra aquela idéia dos alunos que faziam problemas de equações diferenciais

00:53:56.000 --> 00:54:01.000
e eles erravam a coisa que eu achava que era mais importante e que revelava que eles não sabiam praticamente nada,

00:54:01.000 --> 00:54:06.000
mas eles tinham conseguido fazer quase todo o problema.

00:54:06.000 --> 00:54:10.000
Será que esses alunos, que "só" não sabiam conferir a solução, eles mereciam 9 na prova?

00:54:10.000 --> 00:54:15.000
Aqui tem uma citação do Halmos, um matemático famosíssimo, que escreveu uma espécie de autobiografia...

00:54:15.000 --> 00:54:23.000
E aí tem esse trecho em que ele conta que ele aprendeu não sei quê, e ele conseguia fazer as contas direitinho,

00:54:23.000 --> 00:54:27.000
mas ele não entendia o que que determinados argumentos com `ε's e `δ's queriam dizer...

00:54:27.000 --> 00:54:32.000
e teve um dia que ele teve um estalo e tudo começou a fazer sentido.

00:54:32.000 --> 00:54:37.000
Então, será que a gente tem que tratar esses alunos como se fossem pequenos Halmos,

00:54:37.000 --> 00:54:42.000
que por enquanto eles estão... tão só aprendendo a fazer as contas e depois depois tudo vai fazer sentido para eles?

00:54:42.000 --> 00:54:46.000
Olha, na verdade não, né? Porque eles não estão nem conseguindo fazer as contas direito...

00:54:46.000 --> 00:54:51.000
mas eu preciso... ter material para mostrar pra todo mundo que esses alunos têm que ser demitidos,

00:54:51.000 --> 00:54:56.000
porque a gente teriam que aprender a coisa tal, e eles não querem aprender a coisa tal,

00:54:56.000 --> 00:54:59.000
porque a coisa tal "não tá no Stewart".

00:54:59.000 --> 00:55:06.000
Tá? Então vamos parar agora e a gente vai pras perguntas. Pode ser?

00:55:06.000 --> 00:55:07.000
- [Alex] Pode sim.

00:55:07.000 --> 00:55:08.000
- [Eduardo] Tá.

00:55:08.000 --> 00:55:10.000
- [Alex] Obrigado, Eduardo.

00:55:10.000 --> 00:55:12.000
- [Eduardo] Valeu! Obrigado pela oportunidade! Eu tava com...

00:55:12.000 --> 00:55:19.000
precisava de uma desculpa para arrumar esse material e... não consegui arrumar tão bem, mas até funcionou...

00:55:19.000 --> 00:55:29.000
- [Alex] Obrigado, viu? Gostei. Bom, eu tenho uma pergunta, um... um comentário, né?

00:55:29.000 --> 00:55:37.000
É, assim, eu... o que você estuda me interessa bastante.

00:55:37.000 --> 00:55:49.000
Também... a Matemática tem uma lógica interna, né, a Lógica Dedutiva, mas existe...

00:55:49.000 --> 00:55:56.000
eu falei sobre isso em fevereiro numa palestra online, sobre raciocínio lógico na aprendizagem da matemática...

00:55:56.000 --> 00:56:00.000
- [Eduardo] Isso. Eu assisti.

00:56:00.000 --> 00:56:07.000
- [Alex] E como os alunos de fato raciocinam, né... quando eles aprendem matemática, né?

00:56:07.000 --> 00:56:20.000
Por exemplo, se um professor passa uma lista de exercícios, né, e diz "treina isso para entender como funciona"...

00:56:20.000 --> 00:56:27.000
os alunos não raciocinam por dedução, eles... eles fazem um tipo de abdução necessariamente.

00:56:27.000 --> 00:56:34.000
Eles fazem um monte de, sei lá, armam um monte de subtrações e depois de um tempo eles chegaram à conclusão...

00:56:34.000 --> 00:56:37.000
e não é esse jeito que as regras funcionam, certo?

00:56:37.000 --> 00:56:45.000
Por mais que... se você começa com os axiomas de Zermelo Fraenkel ou os axiomas de Peano

00:56:45.000 --> 00:56:54.000
você tem uma dedução pra chegar aos teoremas... e os alunos na aprendizagem... não é o jeito que é feito, né?

00:56:54.000 --> 00:57:00.000
a gente não começa com os axiomas pra depois, é, ensinar regras de dedução

00:57:00.000 --> 00:57:07.000
pra chegar aos resultados, mas a gente tenta que eles entendam pra... inferem de alguma forma que a gente tá fazendo, né?

00:57:07.000 --> 00:57:11.000
A partir de exercícios, né? Aí eu

00:57:11.000 --> 00:57:16.000
achei interessante quando você fala dos níveis dos detalhes, né?

00:57:16.000 --> 00:57:24.000
Porque isso é algo sobre... que a Catarina Dutilh Novais fala no livro dela,

00:57:24.000 --> 00:57:33.000
"As origens dialéticas da dedução... do raciocínio dedutivo", eu acho, né?

00:57:33.000 --> 00:57:46.000
É, assim, o que caracteriza a lógica dedutiva, né, em geral, é a... obviamente, a necessidade, né,

00:57:46.000 --> 00:57:55.000
as conclusões são necessariamente... seguem necessariamente,

00:57:55.000 --> 00:58:02.000
e a ideia da contenção de crenças, né, que a gente simplesmente tem certas premissas

00:58:02.000 --> 00:58:08.000
e a partir delas a conclusão tem que necessariamente seguir... mas tem um aspecto que ela enfatiza, é a

00:58:08.000 --> 00:58:14.000
auditabilidade, que ela chama de "perspicuity", né, de quantos passos...

00:58:14.000 --> 00:58:19.000
tem que ter passos no meio, né? Você não pode simplesmente colocar "teorema" e

00:58:19.000 --> 00:58:25.000
você quer propor... fazer uma proposição, "Teorema de Fermat" e depois você diz:

00:58:25.000 --> 00:58:31.000
"Eu vou provar o teorema de Fermat"... você escreve a prova, põe os axiomas de Zermelo Fraenkel,

00:58:31.000 --> 00:58:39.000
e diz que "é óbvio", pronto, o teorema é óbvio, o teorema de Fermat... Bom, é uma conclusão necessária,

00:58:39.000 --> 00:58:44.000
segue necessariamente, né? E também, é, né... segue da premissa.

00:58:44.000 --> 00:58:52.000
Só que isso não vale como prova matemática. E a gente não chamaria isso de de argumento dedutivo, né?

00:58:52.000 --> 00:58:59.000
É, tem que ter um... detalhamento suficiente, né? Então entra esse aspecto, né, da... do agente

00:58:59.000 --> 00:59:07.000
cognitivo, de alguém que tem que ser capaz de entender, né? E quando eu, é...

00:59:07.000 --> 00:59:12.000
ensino matemática, é... né, eu sou do departamento de Matemática, dou aula de

00:59:12.000 --> 00:59:15.000
Matemática, minha formação em Matemática, né?

00:59:15.000 --> 00:59:17.000
- [Eduardo] Você costuma daqui cursos?

00:59:17.000 --> 00:59:20.000
- [Alex] É... um pouco de tudo, né? Mas muitos calouros, né?

00:59:20.000 --> 00:59:21.000
- [Eduardo] Tá.

00:59:21.000 --> 00:59:25.000
- [Alex] Aí eu... assim, tudo que você tá falando, eu também tô vendo, né?

00:59:25.000 --> 00:59:32.000
Nos meus alunos. Mas assim, eu sinto que a ideia de fazer um argumento lógico,

00:59:32.000 --> 00:59:37.000
um argumento pra chegar a uma conclusão lógica é completamente inexistente neles,

00:59:37.000 --> 00:59:43.000
A ideia, o ensino de matemática, parece focado na resposta certa, né?

00:59:43.000 --> 00:59:51.000
Eles não têm nenhuma ideia de fazer algum raciocínio, de colocar um argumento no papel, de argumentar por

00:59:51.000 --> 00:59:57.000
algo é verdadeiro, se a resposta é certa, tá bom... e isso contrasta muito

00:59:57.000 --> 01:00:03.000
com as, digamos, as Humanas... ou, digamos, no Enem tem uma redação, né?

01:00:03.000 --> 01:00:11.000
Você tem que, né, escrever com palavras, né, é... comunicar, né, ideias e

01:00:11.000 --> 01:00:18.000
argumentos lógicos. Você tem que fazer isso. E você também tem um norma culta

01:00:18.000 --> 01:00:24.000
da linguagem portuguesa que você tem que empregar, você tem que ter uma ortografia, né?

01:00:24.000 --> 01:00:30.000
E na matemática não importa, né? Você pode escrever de qualquer jeito, escrever, usar símbolo

01:00:30.000 --> 01:00:36.000
de igual quando você quiser, não trocar por uma seta, ninguém liga para isso na escola. Eles chegam lá trocando símbolo

01:00:36.000 --> 01:00:41.000
de igual por uma seta, né? Né? Mas o símbolo de igual é o mais sagrado na

01:00:41.000 --> 01:00:46.000
matemática, né? Então assim, eles não têm nenhuma, é... idéia de redação

01:00:46.000 --> 01:00:52.000
matemática. Eu tenho que escrever, comunicar minha ideia matemática, né? E

01:00:52.000 --> 01:00:57.000
não... não existe isso de comunicar, né? É só resposta certa ou não é certa.

01:00:57.000 --> 01:01:00.000
- [Eduardo] Isso porque eles nem tiveram contato com com a linguagem matemática, né?

01:01:00.000 --> 01:01:02.000
- [Alex] Oi?

01:01:02.000 --> 01:01:07.000
- [Eduardo] Eles nem tiveram contato suficiente com a linguagem matemática. Eles não têm nem de onde aprender.

01:01:07.000 --> 01:01:10.000
- [Alex] É, é assim, eles não têm, é... eles não

01:01:10.000 --> 01:01:16.000
sabem o significado de igual, né? Porque igual e ou é igual ou não é igual na

01:01:16.000 --> 01:01:24.000
matemática. E para eles igual é uma seta, né? Tanto faz, né? E assim o dois pontos, né? Um "colon", né?

01:01:24.000 --> 01:01:29.000
É, então assim, é, a ideia de construir um argumento lógico, né,

01:01:29.000 --> 01:01:34.000
é completamente ausente, de ter uma ortografia na matemática, de mategramática

01:01:34.000 --> 01:01:42.000
e usar os símbolos matemáticos corretamente. E isso acho que dialoga um pouco ensino de Lógica, né?

01:01:42.000 --> 01:01:49.000
É porque... eu sei que na Sociedade Brasileira de Lógica se discute essa idéia sobre,

01:01:49.000 --> 01:01:55.000
né... é, a ausência do ensino de Lógica na escola. Eu não sou especialista nisso,

01:01:55.000 --> 01:02:02.000
mas eu sinto que é um pouco... um dos problemas da Matemática na

01:02:02.000 --> 01:02:10.000
universidade, quando eles saem da escola, que eles não têm a mínima ideia do que é construir um argumento lógico,

01:02:10.000 --> 01:02:17.000
né, no âmbito da matemática, né... assim, que possa ter uma argumentação

01:02:17.000 --> 01:02:22.000
matemática... você tem que comunicar, né, eles são incapazes de comunicar, né, porque é tudo múltipla escolha

01:02:22.000 --> 01:02:27.000
também, né? Isso. Não sei, né?

01:02:27.000 --> 01:02:35.000
- [Eduardo] É, alguns slides que eu pulei tem um montão de links pra artigos sobre igualdade, sobre variável,

01:02:35.000 --> 01:02:42.000
coisa assim. Inclusive, alguns desses eu descobri na sua apresentação. Eu comecei a seguir os

01:02:42.000 --> 01:02:47.000
links de lá e foi de lá que eu cheguei num monte de material sobre Educação Matemática. Então, eu peguei dois ou

01:02:47.000 --> 01:02:54.000
três links sobre igualdade de lá e sobre variável e já encontrei um montão de coisa nova que acho que vai te interessar.

01:02:54.000 --> 01:02:59.000
- [Alex] Ah, que bom. Bom. É... mas, é, legal, é...

01:02:59.000 --> 01:03:04.000
ver o seu material, as suas idéias de, né, as suas observações...

01:03:04.000 --> 01:03:06.000
- [Eduardo] É, e vamos tentar botar isso na prática

01:03:06.000 --> 01:03:12.000
porque são coisas que eu sei que não cabem em poucas frases, talvez caibam em exercícios com figuras, e coisas assim...

01:03:12.000 --> 01:03:16.000
mas eu realmente não tenho como resumir as minhas idéias em pouquinhas frases agora.

01:03:16.000 --> 01:03:20.000
- [Alex] Uhum. Mas eu acho uma... algo, né... no ensino de

01:03:20.000 --> 01:03:27.000
matemática, na educação matemática, acho que é interessante, né... tentar um

01:03:27.000 --> 01:03:34.000
pouco entender o que que pode ser feito para melhorar o raciocínio lógico, né?

01:03:34.000 --> 01:03:40.000
- [Eduardo] É. E é um problema que não existia e agora tá muito pior. Antigamente os alunos que não sabiam absolutamente nada de lógica

01:03:40.000 --> 01:03:46.000
eram poucos. Agora são quase todos. 

01:03:46.000 --> 01:03:53.000
- [Alex] É, é, acho que é, eu acho que também tem teve uma piora. Sim.

01:03:53.000 --> 01:03:59.000
Tem mais, mais perguntas?

01:03:59.000 --> 01:04:07.000
Bom, se tem... não tem mais perguntas. É, bom...

01:04:07.000 --> 01:04:10.000
- [Eduardo] Sua vez.

01:04:10.000 --> 01:04:23.000
- [Alex] A minha vez, né? Tá bom. Bom, eu vou também... é... aqui... cadê o negócio?

01:04:23.000 --> 01:04:35.000
Janela... o PDF que tou compartilhando aqui. Vocês estão vendo?

01:04:35.000 --> 01:04:37.000
- [Nick Olle] Sim.

01:04:37.000 --> 01:04:39.000
- [Eduardo] Sim.

01:04:39.000 --> 01:04:44.000
- [Alex] Beleza. Ótimo. Então, meu nome é Alex... né, é...

